TPM - Taty Paty Matias

Paiê!




 Outro dia, eu falei sobre a "dureza" que é ser mãe e acabei sendo intimada a falar sobre os percalços do pai. Creio que para o homem, geralmente – não "sempre", eu disse "geralmente" – o problema já começa com a notícia. Porque para o homem, quase toda a gravidez não é planejada. A mulher já planeja desde os quatro anos de idade, ao brincar de casinha. Então, vem a notícia, e se ele é pego de surpresa, fica com aquela expressão indefinida, à la Monalisa, esperando que a mulher complete a frase com um "mas é lógico que..." (há variações conforme a região): mas é lógico que vou abortar; mas é lógico que não é seu (eles gostam de ouvir esta frase quando não se trata de um relacionamento sério); mas é lógico que não vou lhe pedir pensão; mas é lógico que você não vai precisar assumir a menor responsabilidade sobre isso; mas é lógico que sua esposa não vai ficar sabendo, mas é lógico! Agora, se a notícia é seguida de um "mas é lógico que eu vou ter esse filho, nosso filho!", aí começa a correria masculina: leva a mulher pra fazer todos os testes possíveis, segura a sua mão, sai à noite para comprar "um objeto de desejo" comestível incontrolável – na chuva, tudo fechado, o carro não pega, pegou, mas tá sem gasolina, vamos lá, loja de conveniência, não acha o "objeto de desejo", tenta telefonar pra ela perguntando se pode comprar outra coisa, deixou o celular em casa porque não contava com imprevistos, "mas é lógico" – depois ainda tem que segurar a ânsia ao ver a mulher vomitar sem restrições ao ambiente em que se encontram – ter de lavar a porta do carro, os vidros da janela do banco de trás, pois ela não agüentou esperar que ele parasse o carro.

O pai tem de ser "bom pai" porque a mãe cobra, não necessariamente o filho. O filho se alegra com as coisas que o pai dá de presente (sempre mais caras que as da mãe) e com alguns passeios esporádicos a lugares fantásticos: zoológico, circo, parque de diversões. Mas a mãe quer que o pai seja sempre mais presente, que ele saiba dar bronca senão ela sai como a megera da história, que ele converse com o filho quando for pré-adolescente e explique sobre as mudanças no seu corpo – porque se a mãe tenta tocar no assunto, o moleque se revolta, bate a porta. Se for filha, então, pobre pai! Tem de controlar até pensamento para não magoar a jovem, que está passando por um momento complicado com o gênero masculino, escolhendo os caras "errados", chorando todos os dias por causa de um namorado que o pai nunca conheceu, tendo cólicas que só a mãe é capaz de entender, menstruando, gritando em frente ao espelho, espinhas, que espinhas? O pai não vê espinhas nem celulites, o pai acha a filha linda de morrer, morrer de ciúme do vizinho que a espia no quintal, o pai sabe, tá louco pra quebrar a cara dele, a mãe já pediu pra ele se controlar. Ele tenta. Tenta também ficar acordado esperando para buscar os filhos na balada mas, oras, é tarefa da mãe! Então, o pai dorme e três horas depois têm de acordar para buscá-los, a mãe vai junto porque não dormiu, na volta todo mundo quer parar para comer, o pai sonolento, "nunca tem tempo pra nós!", vamos lá, todos querem sanduíche e batata-frita, até ele come. Pai tem que bater de frente com o filho, porque o filho é um grude com a mãe e acha que ela está sempre certa, fazendo tudo pelo pai, que não dá valor, chega tarde do trabalho, quer passar o final de semana trancado em casa. Pai tem que agüentar o ciúme doentio da filha porque filha pensa que pai não pode ter contato (físico, emocional, dialogável) com outra mulher que não seja ela mesma ou, no máximo, a mãe. E pai tem que se conformar com o fato de que a mãe está mais por dentro de tudo que ele; que ela já sabia há dois meses que a filha tem namorado, que o filho fez uma tatuagem, que o vizinho fuma maconha, que o cachorro abriu um buraco no sofá; que a sogra, mãe dela, vai passar uma semana com eles em janeiro; inclusive que era dela, sua esposa, a multa de trânsito por estacionar em local proibido – é impossível encontrar vaga ao redor do colégio da filha.

E, depois, pai não pode desabafar essas coisas com os amigos porque os amigos não suportam homem que casa e fica "mané", nem sequer pode confessar no trabalho que está desconcentrado por causa de uma febre do filho, do namorado da filha, do vizinho que deve passar o dia regando as plantas pra poder secar sua mulher tomando sol. Pai tem que ser forte, pai é homem! E chegar em casa, fazer aviãozinho com o filho: upa! Cavalinho, vai cavalinho! Ler as historinhas da filha, elogiar os desenhos, ou pedir que abaixe o som – pai também tem dor de cabeça – que se sente na mesa para jantar, que a mãe, por favor, mãe pare de limpar coisas e me faça um café, um cafuné! Pai requer a atenção de todo mundo quando chega em casa, mas se todo mundo resolve dar atenção ao pai... "oh, céus, eu preciso de uma massagem, de umas férias, de uma dose de whisky". Porque pai é muito parecido com o Pai – lá de cima: a gente olha pra ele, lembra-se de um monte de coisas que tá precisando: "Pai, tenho que pagar o judô", "pai, preciso de um tênis novo", "pai, todo mundo vai pra aula de bicicleta, eu sou a única que...", "Querido, você já reparou como as crianças andam mal vestidas?", "Senhor, seu filho precisa usar aparelho", "Filho, eu quero meus netos crescendo saudáveis, não custa você abrir mão de algumas horas do final de semana para se exercitar com eles". É, pai nosso, que estais na Terra, santificado seja o vosso nome...

 

 

ABALADA NA BALADA
Ai, que engraçado!
É NO PAGODE
VAI DAR CARNAVAL
Pára tudo!
       
 
   
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