TPM - Taty Paty Matias

Amar é tudo


 Um trecho do conto O Ovo e a Galinha, da Clarice Lispector diz "Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil". O conto é riquíssimo de verdades – sendo que encaro a verdade como algo que pode ser transponível e adequado ao contexto, mutável portanto. Mas este trecho trabalha com tantas verdades agora cabíveis que eu me proponho a falar apenas dele – e a sugerir que o leiam quando houver tempo e interesse.
 
Porque eu conheci "a pessoa" e foi assim como se eu saísse de casa e só me descobrisse nua ao chegar na faculdade: literalmente um descobrimento. Mas é que eu não o conhecia na verdade. Eu só sabia o que era externo a ele – por mais que ouvisse falar a seu respeito assim, com bastante intimidade, é diferente a percepção de quem "ouve falar" e a de quem "fala". Ignorava inconscientemente o que fosse essencialmente dele, daquele ser específico que havia (me) descoberto; como o pensamento por trás do sorriso: por trás dos cinqüenta diferentes sorrisos que uma pessoa é capaz de esboçar há uma mensagem secreta que eu ignorava. Aos poucos aprendi. No começo também a gente procurava as coincidências – sem saber que somos encontradas por ela e que coincidência foi termos nos apaixonado – procurava o lugar-comum das idéias e sonhos. No começo é "eu também": eu também adoro essa banda, eu também gosto de mar, eu também já fiz dança, eu também pretendo morar na Europa, eu também gosto de você, eu tambééém! E por isso amar é fácil e não é amar. E por isso a gente se apaixona e diz que amou. E por isso muitos terminam algum tempo depois porque só se apaixonaram. Mais adiante é "eu não": eu não suporto – o "r" carregado de asco – eu não suporrrto essa música, eu não gostei desse filme, eu não acho legal trair – irônico, quem discordaria? – eu não me mudo daqui por nada, eu não vejo graça naquele carro, eu não quero que você vá, eu nããão! Aí é que a gente está se conhecendo. Ainda que não esteja necessariamente se entendendo, a gente está, sim, se conhecendo para saber se ama o que não combina com você ou se apenas se apaixonou pelo que coincidia e agora diverge de tal maneira que nem sabe-se mais como foi que "deu liga" um dia. E ainda que não se perceba, apesar de tanta diferença, há uma união que se intensifica a partir do "desejo de conhecer o limite do seu objeto de desejo" – e o seu próprio: até quando eu agüento essa desorganização dele? Que seja! Há tantas perguntas sem respostas quanto há respostas sem perguntas, e a gente nem sempre lê. Mesmo que o "eu não" tome o lugar do "eu também" – em freqüência com que é dito – este último permanece e aflora nos instantes mais íntimos: eu te amo - eu também!
 
Amar talvez seja, então, adorar (des)conhecer e descobrir o "ser amado". Amar pelo que ele não aparenta ser e é, pelo que nos choca e não conseguimos fechar os olhos, pelo tanto que a boca não diz e é ouvido, pelo que olhas e não o enxergas; amar pelo amor trivial que não espera muito mas tem esperança, que não demonstra tudo mas é amoroso. Amar os defeitos dela(e) tanto quanto às vezes você os detesta - com a mesma intensidade - amar em cada detalhe, irritantes que são, tão dela(e), tão...!
 
"Eu sei,
eu não sei viver sem ela.
Assim, um simples ‘talvez’ me desespera.
Ninguém pode querer bem sem ralar,
na há nada o que fazer:
Amar é tudo!"

 


 

 

ABALADA NA BALADA
Ai, que engraçado!
É NO PAGODE
VAI DAR CARNAVAL
Pára tudo!
       
 
   
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