Saudades

Gilberto Gil na Ilha

 

Floripa, anos 80!
 
 A partir desta edição, que chega agora às suas mãos, da gostosinha revista do nosso fotógrafo Marco Cezar - a exibida Mural -, que há muito tempo freqüenta os melhores ambientes de Floripa clicando as lindas e as personalidades locais, nacionais e internacionais (de Ben Herper a Ademar Ben Johnson) nas melhores situações, vamos recordar pelos próximos meses algumas das festas que rolaram na cidade na década de 80 e que o Marco fotografou.
A idéia foi minha, lá mesmo no El Divino, durante a festa de lançamento da última edição da Mural, e prontamente aprovada pelo diretor-proprietário. Somente dei a idéia, não tinha me oferecido para fazer. Marco nem discutiu, aos 44 minutos do segundo tempo, com toda a revista já fechada, me fez a intimação. É sempre assim. Mas trata-se de um serviço prazeroso. Recordar é viver, já se dizia quando nasci. E porque temos o que recordar, o negócio é mãos à obra, porque, além de matar saudades de uma época em que Floripa começou a se mostrar para o Brasil, podemos melhor orientar os novos habitantes da cidade e freqüentadores das baladas atuais.
Sintonizar a turma. A lista é boa. Começa com Gilberto Gil na Metrô do Estreito, depois de um show no SESC; passa por Lulu Santos no Vegas bar ao lado da Dizzy, com Lobão de baterista; e documenta também o show de Jorge Benjor ao ar livre no Doze de Jurerê, num final de tarde tomado por um fortíssimo nevoeiro. E, claro, não podia faltar, as loucuras de Tim Maia, que teve em mim seu primeiro e melhor amigo em Florianópolis. Fizemos loucuras juntos, não posso negar.
Há muito tempo, desde quando chegou, Marco Cezar tem a mania de me seguir. Um pouco desse acompanhamento, sabendo de meu gosto pela noite, você começa a conferir agora; a outra, com mais detalhes, deixarei para o meu livro que vai sair, um dia vai sair.
 
 
Depois do Gil, uma festa a mil
 
 Gilblack Gil era como eu gostava de chamar o hoje ministro da Cultura que já foi preso em Floripa por porte de maconha, mas nem por isso deixou de gostar da cidade e do seu povo. Gil era pop, era top, era the best. Usava tranças, chinelos, roupas coloridas. Fazia um tipo Jimmy Hendrix e Bob Marley. E era celebridade. Tinha amigos na Ilha. Foi preso, aliás, depois de ter passado a noite numa festa com amigos locais, antes do show dos Doces Bárbaros. Eu junto. Seu ponto de referência na Ilha era o colunista mais quente da época, Beto Stodieck. 
Na primeira vez que voltou a Floripa depois da prisão, chegou com uma lua pintada de um lado do cabelo afro e do outro, havia uma estrela. Um charme. Uma novidade. A lua na cabeça estava na capa do seu novo disco, “Luar”, que também virou show. Foi no ginásio do SESC, que, pra variar, lotou. Naquela tarde, com uma lancha emprestada pelo diretor da RBS, Nelson Sirotsky, consegui convencer Gil, que levou a mulher Flora, na época recém começando o namoro, a me dar uma entrevista para a RBS-TV, onde eu estava começando, al mare.

 Paramos entre as pontes. E falamos da cidade, do aterro, da construção inoportuna da rodoviária Rita Maria, do Bob Marley, dos políticos, da sua prisão. Foi quando Gil confessou que apesar de tudo, Floripa era a cidade do Sul que ele mais gostava. O artista ainda ficou um tempão depois da entrevista e do passeio de lancha na varanda do Iate Clube Veleiros da Ilha, vendo o pôr-do-sol, ouvindo no meu head-phone (naquela época não existia iPod) o novo disco do inglês Steve Winwood, ex-Traffic. À noite, o empresário Adriano Calil levou, no seu opala, Gil e a mulher para o hotel Maria do Mar. No outro dia nos encontramos no show.
Gil ficou sabendo da minha festa na boate Metrô, no Estreito, que tinha o sugestivo nome de "Depois do Gil, uma festa a mil”. Gostou da idéia e não só foi à festa, como levou toda a sua banda, incluindo a filha Preta Gil. Eles chegaram em um ônibus de 36 lugares, que ficou estacionado em frente à boate esperando. A casa trepidou. Sorteamos discos da cabine de som, Gil ficou quase até o fim da festa, deu autógrafos, bateu fotos, dançou e até cantou. "No Woman no cry". Sem acompanhamento. Um show.  A festa foi assunto na cidade pelo resto do mês.
 
 
 
 

Abertura do verão de 1983
Bar do Chico | 1980
Jorge Benjor ao ar livre | 1980
Aquela outra Floripa | 1980
Beto Stodieck por Cacau Menezes
       
 
   
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