Fala Eficiente

A turma da casa laranja

  

 Rua Pedro Lessa, no bairro Santa Mônica. Do lado direito um imponente shopping center inaugurado há alguns meses, enquanto do lado esquerdo fica casa de número 86.
Para quem passa pela calçada, é possível apenas perceber os ares de uma residência tranqüila e típica da localidade, com um muro alto feito de grades, um jardim muito bem cuidado e as paredes pintadas recentemente com a cor alaranjada, dando um toque de modernidade.
Mas basta cruzar o portão para perceber que o local não é tão sossegado assim. Pelo contrário, a casa está sempre movimentada, pois ali funciona o Centro Sócio Ocupacional da APAE, onde são atendidos diariamente dois grupos de 25 alunos especiais, que se revezam em diversas atividades.

 A localidade foi inaugurada no final de 2006 e é direcionada para os alunos com mais de 30 anos de idade, alguns em processo de envelhecimento precoce.
De acordo com a psicóloga Patrícia Brilhante Kurik, a estrutura física da sede da Apae no bairro Itacorubi já não estava sendo suficiente para atender o grande número de portadores de deficiência mental que freqüentam a instituição, o que gerou a necessidade de criar o Centro Sócio Ocupacional.
Um outro motivo do nascimento da “Casa Laranja” – como os próprios alunos chamam carinhosamente o lugar – foi dar mais autonomia, trabalhar a independência e a auto-estima. “Eles adoram estar na rua, passear, conversar”, comenta a psicóloga. “Dá para perceber a animação deles no sorriso, no olhar, na fala”.


Rotina diversificada

 Para evitar que os portadores de necessidades especiais tenham uma rotina repetitiva, já que boa parte deles freqüenta a Apae desde criança, o lema do Centro Sócio Ocupacional é dar liberdade, para que cada um desenvolva as atividades que possuir maior identificação.
Logo na entrada da casa há um refeitório e ao lado fica a cozinha, onde um grupo semanalmente se reveza na preparação do lanche. Mas antes de ir para o fogão eles próprios vão ao supermercado, localizado no shopping center ao lado, para comprar os itens necessários para saciar a fome da turma.

 Trabalhos artesanais também são desenvolvidos com habilidade. Enquanto orienta a confecção de tapetes, a professora Lisiane Bonatelli mostra com muito orgulho e entusiasmo algumas das peças já concluídas. “Nem sempre as pessoas acreditam que é um trabalho de aluno e, por isso, muitas vezes registramos as etapas de produção”, diz.
Todos os artigos têm como destino o estande ‘Feito Por Nós’ da Feira da Esperança. “A feira é um lugar de consagração, uma espécie de pódio”, comenta Lisiane.
A professora também enfatiza que existe uma cobrança com a qualidade do que é produzido. “As pessoas compram os objetos porque são bonitos e não somente por serem feitos pelos alunos”.
E esse padrão de qualidade pode ser percebido nos mosaicos, em que os artesãos especiais definem o tema a ser desenvolvido, escolhem as cores, partem os azulejos em pequenos pedaços e executam a idéia. “Eles me surpreenderam ao cortar as peças nos lugares certos para encaixar corretamente”, destaca o professor Leonardo da Silva.
Infelizmente, é preciso esperar até o próximo para poder adquirir os artigos feitos no Centro Sócio Ocupacional, pois a Feira da Esperança de 2007 já foi realizada, no mês de maio. Mas quem quiser conhecer um pouco mais deste trabalho, basta dar uma passada na ‘Casa Laranja’. O endereço está lá no início da matéria.

 

 

 

       
A turma da casa laranja
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