SobreTudo

Morena do Chantilly

 

 Imaginem vocês um mercado, um mercadinho, um mix de açougue de carnes com itens de supermercado. Loja pequena, mas muito concorrida. Final de tarde de quinta-feira. Ali sempre se reúnem entendidos em futebol, observadores da cena geral e aqueles que consertam nosso país todo dia.
Um dos integrantes dessa turma da “arquibancada” observou de longe uma beleza de morena caminhando pela calçada. Será que ela iria até o açougue?
O gajo não falou nada, ficou só observando. Quando ela foi chegando mais perto, soou o alarme. Mulher bonita chegando. Como, naquele momento, o açougue só tinha os dois funcionários atrás do balcão de carnes e mais o dono no caixa, o resto era a escumalha da arquibancada, o palavrão corria solto. Nessa hora alguém sempre lembrava de dizer o comando-chave para prevenir quem estava de costas.
- Tem roupa no varal.
Isso significava silêncio em palavrões, piadas e comentários desairosos. O papo seguiria só na base da abobrinha. Só que a morena entrou e avacalhou com o papo. Ninguém conseguia ficar sem olhar para ela. Os assuntos se dispersaram.
Sabe a potranca? Aquela coisa que chega e não precisa dizer nada? Calça jeans justíssima, camiseta branca solta, tamanquinhos que empinavam aquele monumento nacional, cabelos soltos, tudo muito simples. Mulher quando dá para ser bonita não precisa de nada de mais sobre o corpo, caso dela, a morena. Se não tivesse nada mesmo, infartaria a arquibancada inteira.
O que ela veio buscar? Carne? Não. Aquele pedaço de mau caminho não combina com um quilo de carne moída ou quatro bifes de alcatra passados na máquina (já pra arrombar de vez).
Faltou dizer sobre o olhar. Aquele olhar quase sacana, da mulher que já sabe explorar cada centímetro de sensualidade, mas preserva traços maliciosos e cheios de graça da fase teen. Ela não ria, deixava um sorriso pela metade. Passava os olhos pelas prateleiras buscando algo. Mas não abriu a boca.
 Os marmanjos cheios de baba ofereciam ajuda - ela nada. Só passeava com suavidade pela loja e tinhas os olhares todos a seguindo. Parou num expositor transparente e ficou olhando algo.
- Posso ajudar - insistiu mais um.
Ela, nem uma palavra. Com graça, estendeu o braço e abriu uma das portas retirando dali uma embalagem tipo spray de chantilly. E foi só. Não quis mais nada. Como é? A morenaça entra no açougue e sai de lá só com um tubo de chantilly?
- Quando custa? - foram as duas únicas palavras que pronunciou, com aquela vozinha melodiosa.
Ela saiu e um princípio de tumulto se instalou. Virou seminário. Qual seria a utilidade daquele tubo de chantilly? O que ela faria com aquilo. Vieram as mais variadas hipóteses, todas muuuuuito apimentadas. O pessoal do açougue ficou maluco.
Dois dias depois, quase no mesmo horário, e lá vem a morena de novo. Descobriu-se que ela era nova moradora de um prédio que fica do outro lado da rua. Três integrantes da turma da arquibancada lá estavam. Um dos mais afoitos não resistiu. Quando ela passava de novo pelo caixa, agora com apenas dois tomates numa sacolinha, ele não se conteve. Relembrou todo o episódio, a sua maneira, e emendou:
- Moça, mata a nossa curiosidade, pelo amor de Deus. O que foi que você
fez com aquele tubo de chantilly??? Conta só para nós - implorou.
A morena sorriu levemente, pagou a conta e declarou:
- Vocês jamais saberão.
E saiu com aquele mesmo sorriso sacana.

 

 

 

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