Fala Eficiente

Doze vezes eficiente!

 


A seção ‘Eficiente’ completa em setembro seu primeiro ano de vida. Neste período, tivemos contato com personagens que nos presentearam com histórias vitoriosas, as quais abrilhantaram ainda mais as páginas da Mural. 
Quando decidimos levar a idéia para frente, mal sabíamos quais caminhos a coluna iria seguir. Nosso primeiro passo para colocá-la em prática foi cobrindo os Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina (Parajasc), entre os dias 23 e 37 de agosto do ano passado, no município de Joaçaba.
A partir daí, mês a mês fomos em busca de novas pautas, e em comemoração ao primeiro aniversário da coluna vamos relembrar aqui os momentos mais marcantes.


 Sorriso vencedor

Dentre os 1300 competidores presentes aos Jogos Paradesportivos, conhecemos Suzana Cristina da Silva, na ocasião com 21 anos, olhos azuis e um sorriso constante estampado no rosto.
Ela competia como atleta convencional no lançamento de dardos, até que sofreu um acidente em uma academia de musculação, em que um aparelho se rompeu e projetou uma carga de 192 quilos sobre seu corpo, ocasionando uma paraplegia completa e definitiva.
E foi através do esporte que ela deu a volta por cima, passando a competir como paradesportista e acumulando novos títulos na carreira. 

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 Os Padeirinhos da Apae

A reportagem ‘Os Padeirinhos’ ganhou o prêmio do Instituto Guga Kuerten (IGK) na categoria Jornalismo – Revista. Conquistar um reconhecimento como este em nossa segunda matéria sobre os eficientes foi bastante motivador e nos fez perceber que estávamos caminhando no rumo certo.
Isso sem falar no contato que tivemos com a turma para formação de auxiliares de panificação da Apae, responsáveis pela preparação dos pães e bolos para o lanche dos cerca de 350 alunos atendidos diariamente pela associação na sede do bairro Itacorubi.

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 Beleza sem fronteiras

Mulher bonita é o que não falta nas páginas da Mural. E nosso assunto de novembro de 2006 não foi diferente. Fomos até Sorocaba, no interior de São Paulo, a 720 quilômetros de Florianópolis, onde conhecemos a alagoana Taíse Guedes.
Ela teve os braços e pernas amputados em decorrência da obstrução dos vasos sangüíneos, ocasionada por uma meningite meningocócica tipo C. Com o auxílio de próteses de alta tecnologia, comandadas por impulso cerebral, Taíse realiza normalmente as tarefas do dia-a-dia e ainda trabalha como modelo. 
Apesar das dificuldades, a menina afirma nunca ter desanimado. “Sempre segui em frente, com a cabeça no lugar”, diz.


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 Rita Boz e Israel Vibration

O bom humor de Rita Boz foi a marca registrada da edição de dezembro de 2006. Além do talento como pintora, a moradora da Palhoça é mãe de uma filha adolescente e responsável pelas tarefas do lar.
O detalhe é que ela é vítima da Talidomida, um medicamento utilizado como sedativo no início da década de 60 por gestantes, que resultou na malformação dos membros de milhares de crianças pelo Mundo.

 No caso de Rita, a ausência dos braços resultou em uma incrível habilidade com os pés para os trabalhos ligados a arte, girar a chave para abrir uma porta, lavar a louça ou utilizar o mouse do computador. “Sou muito exibida. Quando vou a um restaurante sempre tem o pessoal virando o pescoço para me ver comendo”, brinca.
No mesmo mês fomos ao Lagoa Iate Clube (LIC), onde tivemos um bate-papo com os jamaicanos do Israel Vibration. A banda liderada por Cecil “Skeleton” Spence e Lascelle “Wiss” Bulgin teve início na década de 60, quando os vocalistas se conheceram em um centro de reabilitação para deficientes físicos em Kingston. “As pessoas são capazes de tudo, seja música, esporte, diversão. Apesar de existirem dificuldades, não se pode desistir”, afirma Wiss.

 

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 De alma lavada

Presenciar Guto Silva tomando seu primeiro banho de mar, oito anos após sofrer um acidente de moto e ficar paraplégico, foi um momento inesquecível. “Foi bom demais”, comemorava Guto em Jurerê.
Com o uso da Seat Surf - uma cadeira desenvolvida para portadores de deficiência – quem também entrou na água e abriu um largo sorriso foi Marquinhos Linhares Tayer, portador de paralisia cerebral.

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 O pequeno grande Chiquinho

“Tenho minha mulher, meu carro, minha casa e minha profissão. Tem deficiente físico que fica em casa, mas tem que ser o contrário”. O depoimento do professor de história Hudson Pires, conhecido pelo apelido de Chiquinho, dá uma noção do dinamismo de quem nasceu, há 39 anos, com um desvio na coluna vertebral, mas foi à luta. Segundo Chiquinho, o apoio dos familiares foi fundamental para conseguir enfrentar as principais dificuldades impostas pela sociedade. “A minha família me levou para saber o que era a vida, sem me superproteger. “Eu fui para a rua ganhar beijos e também ganhar tapas”.


 


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 Davaidade e Cachoeira

O angolano Fernando Davaidade não só foi um dos personagens da Mural, como virou sócio de carteirinha das festas da revista promovidas no El Divino Lounge.
Ele é angolano e reside há seis anos em Florianópolis. Apesar de ter como único recurso visual a percepção da luminosidade do ambiente, vai diariamente de ônibus até o município de Palhoça, onde estuda Jornalismo na Unisul. Como não bastasse, Davaidade é fotógrado.
Enquanto Fernando se prepara para a carreira de jornalista, ouvimos a experiência de Valdir Cachoeira, profissional com passagem pelo jornal O Estado e assessorias de imprensa do Sindicato dos Bancários e da Federação do Comércio.
“Cachu” também possui deficiência visual e com o apoio da Associação Catarinense para Integração do Cego (ACIC) está reaprendendo as tarefas do dia-a-dia através de aulas de orientação e mobilidade, informática e atividades da vida diária.

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 Pelas mãos de Scheidt

Organização, limpeza e perfeccionismo foram alguns dos aspectos presenciados na marcenaria de Raimar Scheidt, na pacata localidade de Santa Isabel.
Raimar trabalhava como pedreiro e perdeu os movimentos das duas pernas, quando caiu de uma torre de uma igreja com sete metros de altura. Hoje, aos 60 anos, reencontrou a felicidade no trabalho que desenvolve há seis anos fabricando brinquedos de madeira e utensílios domésticos, como colheres de pau e tábuas para churrasco


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 Uma jogada de superação

Animação e carinho foi o ponto forte dos alunos da Cooperativa Social de Pais, Amigos e Portadores de Deficiência (Coepad) durante um torneio de tênis promovido pelo Instituto Guga Kuerten, através do projeto Aprendendo no Esporte. Comandados pelo professor Célio Borges, cerca de 30 tenistas especiais deram um show de determinação na quadra do LIC.
Um exemplo de superação foi Miguel. Ele possui apenas 20% da visão, mas com o som da bolinha batendo no chão consegue localizá-la e rebater para o outro lado da rede. “É muito gratificante este lado humano, a alegria, a sinceridade”, destaca o professor. “Eles têm dificuldade na coordenação, mas se superam com a força de vontade”.

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 Cooperação é a palavra certa

A identificação com a turma de tenistas foi tão grande, que no mês seguinte fomos até a sede da Coepad, na rua Victor Konder, no centro de Floripa, para conhecer um pouco mais do trabalho lá realizado.
O local funciona com uma fábrica, onde são produzidos artigos com papéis reciclados e produtos higiênicos. Os portadores de necessidades especiais, além de serem responsáveis pela produção, são sócios da cooperativa e dividem o lucro obtido com a venda das mercadorias.

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 A turma da casa laranja

O Centro Sócio Ocupacional da Apae foi o palco da décima primeira edição dos “eficientes”. A localidade foi inaugurada no final de 2006, no bairro Santa Mônica, e é direcionada para os alunos com mais de 30 anos de idade, alguns em processo de envelhecimento precoce.
Logo na entrada da casa há um refeitório e ao lado fica a cozinha, onde um grupo semanalmente se reveza na preparação do lanche. Mas antes de ir para o fogão eles próprios vão ao supermercado comprar os itens necessários para saciar a fome da turma.
Trabalhos artesanais também são desenvolvidos com habilidade, como tapetes e mosaicos, produzidos para o estande ‘Feito Por Nós’ da Feira da Esperança

 

 

 

Homem de ferro e fibra de carbono
A turma da casa laranja
Cooperação é a palavra certa
Uma jogada de superação
Pelas mãos de Scheidt
       
 
   
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