Pioneiros do Fotojornalismo

Osvaldo Nocetti | parte V


 
Enquanto no jornal O Estado se formava a equipe pioneira no fotojornalismo de Florianópolis, outros profissionais atuavam nas sucursais instaladas na Capital, incorporados ao esforço pela captação da imagem visando a informação jornalística. Entre eles, James Tavares e Osvaldo Nocetti (Coca), o primeiro na sucursal do Jornal de Santa Catarina (Blumenau) e o segundo na redação local de A Notícia (Joinville). Era uma época em que predominava o filme preto e branco Tri-X, 400 ASA, as câmeras Nikon F-5 eram as mais cobiçadas, e os fotógrafos estavam incorporando ao aprendizado anterior de estúdio as técnicas, as práticas e o senso ético do foto-jornalismo.
 


 Por conta própria

Neto do imigrante italiano José Bono Nocetti chegado a Florianópolis na década de 1920, Osvaldo Nocetti (Filho) logo ganhou o apelido de Coca ou Coquinha, tudo por causa do famoso refrigerante. O profissional encarna a figura do autodidata que aprende por conta própria, ou melhor, assimila mais com a observação do que fazendo perguntas. A questão, a dúvida, está implícita no olhar do curioso, dirigido criticamente ao que interessa. E Coca sempre foi um crítico e um curioso, com seu jeito discreto, passo manso e pouca fala.
Nascido em 26 de julho de 1952 no bairro do Estreito, sua mãe Lourdes Coutinho Nocetti teve que ser assistida por uma parteira que o pai, Osvaldo Nocetti, foi buscar às pressas na vizinhança. O chamaram de Vadinho (Osvaldinho). O menino cresceu perambulando pelos pomares vizinhos e as praias da região – ele pegou o tempo em que o Balneário era a praia mais freqüentada de Florianópolis, antes ainda da febre passar para Coqueiros.

 Com 16 anos foi trabalhar no Foto Nestor (Estreito), onde começou ajudando na lavação do papel fotográfico (Kodak F-3 e F-4) no laboratório. Primeiro sensibilisa e revela o papel, passado num líquido neutro, indo para o fixador e, por fim, a lavação, para retirar os excessos. Se não for bem lavada, amarela. Os químicos eram comprados a granel e misturados na hora do uso e ele aprendeu a fazer o serviço. Mais tarde passou a fazer fotos de casamentos, batizados, formaturas e festas. Usava câmeras Rolleyflex e Yashica, filmes tamanho 6x6mm da Kodak ou Agfa, inicialmente com 12 poses, depois 24.

 Foi conhecer os filmes 35mm de 36 poses no laboratório fotográfico do Palácio do Governo (Palácio Cruz e Souza, na praça 15). Alí apendeu muito com os novos colegas. “Apanhei um pouco com o carretel, diferente do que eu usava antes, mas logo peguei a manha”, recorda Coca. Assim como outros repórteres fotográficos, Osvaldo também passou por um período de aprendizado com o cinegrafista e fotógrafo Waldemar Anacleto, com estúdio na Capital.
Corria o ano de 1974 quando o fotógrafo Lourival Bento deixou a sucursal do JSC em Florianópolis, indo para o jornal O Estado a convite de Orestes de Araújo. Coca pegou a vaga. Seria cinegrafista da TV Coligadas usando uma Bolex Baillard a corda de 16mmm e fotógrafo do JSC com uma câmera Miranda 35mm e lente normal (50mm). Um ano depois apareceu uma tele 200mm (4.0 de abertura), baixa luminosidade que ele compensava operando o filme Tri-X 400 ASA a 3.200 (puxava o filme).
“O maior problema era o futebol, à noite, com luz precária”, lembra.

 Foi nesse tempo que ele recorreu à ajuda de um colega pela primeira vez. O escolhido foi Mário Barbetta, veterano do fotojornalismo em Blumenau e chefe do setor na sede do JSC. "Conversava com ele por telefone e pedia as orientações", lembra. Na época, o laboratório funcionava no banheiro. As fotos feitas à noite quase sempre seguiam por telefoto. Os filmes iam por malote para ser reveladas em Blumenau.
Ao longo de 1976, Osvaldo teve uma rápida passagem pelo Diário Catarinense, jornal dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, que funcionou primeiro na esquina das ruas Vidal Ramos e Jerônimo Coelho (Centro da Capital) e mais tarde no bairro do Saco dos Limões. Foi chamado de volta ao JSC no mesmo ano, onde permaneceu até 1981, indo para a sucursal de A Notícia, na época sub a direção de Osmar Teixeira, onde permaneceu até maio último.


Acervos preciosos

 Já naquela década de 1970 Osvaldo Nocetti era visto com freqüência num canto qualquer da redação lendo jornais. Além de se informar para poder desempenhar as funções, observava o trabalho dos colegas fotógrafos. Observava atentamente as fotos publicados no Estado de São Paulo e Jornal da Tarde (São Paulo), O Globo e Jornal do Brasil (Rio). Notava a diferença entre aquelas fotos e as que fazia. "Elas tinham movimento, muito diferentes, não eram fotos de estúdio", destaca.


 Entre as coberturas mais marcantes figura a do Papa João Paulo II (1993), a Florianópolis, quando todo o material produzido foi publicado com destaque em A Notícia. Uma foto marcante foi tirada na Lagoa do Perí, há cerca de 15 anos, em preto e branco. Além disso, cobriu todas as manifestações de rua ocorridas entre a Novembrada (1979), as greves dos professores na década de 1980, a campanha as Diretas até o Fora Collor, entre outras. "A gente tinha que estar presente diáriamente em todos esses eventos".
Começou a usar filme cor em meados da década de 1990. A partir de 2004 passou a usar uma câmera digital Cânon. Desde 1985 é o único fotógrafo da Secretaria Estadual de Educação, em Florianópolis, outro precioso acervo reunido por ele e que registram alguns dos principais momentos do ensino no Estado.  

 

 

 

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