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A culpa é do marketing



 Profissionais de marketing englobando comunicação & publicidade devem sempre atuar em fina sintonia e todos - cada uma sua especialidade - precisam saber muito, mas muito mesmo, serem capacitados não só sobre o seu próprio métier, mas também sobre o da vizinhança. O que isso quer dizer é que seja qual for a posição ou escala hierárquica em que este profissional estiver numa empresa ou outra organização a sua qualificação precisa ser a melhor possível. E por melhor que seja a qualificação, a bagagem, o conhecimento deste profissional, de uma coisa esse cara não vai escapar. Se alguma coisa der errado, pode ter certeza, a culpa é do marketing. Aliás, a culpa sempre é do marketing.
Já reparou? Faça um teste. Pergunte a um administrativo/financeiro de uma empresa o
que ele acha sobre o Departamento de Marketing. Alguns darão respostas tipos assim PFL/PSDB, em cima do muro, mas a maioria detonará. "Só serve para dar despesa", dirão. Essa pré-disposição já ‘equilibra’ as coisas na estrutura de uma organização, né mesmo?
Agora vem o mais interessante. Assim como todo brasileiro é técnico de futebol, todo mundo entende de marketing, principalmente os presidentes e diretores de empresas, especialmente aqueles que ocupam os demais cargos de diretoria. Dificilmente um presidente de empresa vai contestar o laudo altamente técnico e complicado de um parecer da área de engenharia, a não ser que ele seja formado em uma área da engenharia. Aí ferrou... Mas seja qual for a formação de um presidente, no marketing ele se sente muito à vontade para opinar. E com ares de entendido.
As reuniões de aprovação de campanhas e de estratégias lembram aqueles finais de combates nas arenas romanas, quando todos se voltam para César esperando pela direção a ser dada ao polegar - para cima vive, para baixo morre. E o mais engraçado é de que o primeiro palpite do presidente, seja ele qual for, já leva o resto do ‘board’ no efeito manada. "É isso mesmo", dirá a tropa exultante da subserviência, êpa, da sobrevivência. Se for o contrário, cairão de pau, todos com aqueles sorrisinhos sacanas e coçando cabeças cheias de gel.
Quando toda a estratégia dá certo e se traduz em bons resultados de vendas, ninguém se lembra de creditar ao marketing, se dá errado, é claro, a culpa será do marketing. Se o problema na empresa é o mais cabeludo possível, qual o primeiro setor a ser chamado? O primeiro será aquele setor diretamente atingido, mas sempre acompanhado pelo marketing. Na hora da bucha, o marketing sempre será lembrado antes.
O marketing acaba pagando o preço de sua intangibilidade, o que por isso mesmo muitas vezes, ou quase nunca, não tem preço. As boas idéias não se encontram em bancos de dados, softwares último tipo, congressos de mágica ou catálogos enfeitados. As boas idéias surgem de bons profissionais que gastam suas horas de trabalho ou folga se atualizando, se perseguindo em termos de qualificação como profissionais. É fruto de muito trabalho, de muita massa cinzenta se mexendo dentro de uma cabeça em busca da solução para um problema mais complexo do que fórmula matemática.
O nível de cobrança exigido de um profissional de marketing é inversamente proporcional ao reconhecimento de suas ações. Especialmente no que tange ao quesito remuneração.
Voltando àquela arena romana, antes dos combates, os espectadores se divertiam com outra atração. Escravos eram enterrados de corpo inteiro, só ficando a cabeça de fora. Daí soltavam os leões esfomeados. Um leão desandou a correr na direção de um pobre coitado desses, enterrado só com a cabeça de fora. Veio com tanto embalo que acabou passando reto por cima. O escravo, tadinho, num ato instintivo, mordeu com toda a força o saco do leão, que urrou desesperado de dor. A platéia não perdoou:
- Joga limpo aí, ô seu escravo de ...!
Esse aí, enterrado só com a cabeça de fora, adivinhe qual o setor dele...

 

 

 

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Para pior
Vamos mudar o Chicabon?
Saindo uma receita...
       
 
   
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