TPM - Taty Paty Matias

A Virtual Traição Real


 
A estória que contarei a seguir é história. Aconteceu na Bósnia-Herzegovina. Mais ou menos assim:
 
 No início era tudo ótimo, como é tudo ótimo no início de qualquer romance em que se atiram de cabeça duas criaturas apaixonadas. E no meio disso - ou no fim, pois não se sabe durante – o trem da alegria começou a descarrilhar. Até nisso discordavam: o certo é “descarrilar”. Não, é “descarrilhar”. Danem-se os dois, tudo é correto! Tudo é correto até que alguém diga ser errado e, aí, vem a dúvida. A dúvida é posta em jogo e... game-over. Foi assim entre eles. Um dos dois acordou com aquela feição de ponto de interrogação; o outro não se exclamou. Era nítido o descompasso daquela dança cotidiana. Ela resolveu aventurar-se na internet, durante o trabalho – já que não conseguia mais se concentrar nisto. Ele... bom, ele decidiu-se pela mesma coisa. Traíram-se compulsivamente de todas as formas verbais imagináveis. Tudo quanto foi possível tocar no teclado fizeram. Teclaram. Teclaram. Teclaram. Tecla. Tcl. Tc. Ele dizia para a amante virtual que seu casamento era um fracasso conjugal. Ela dizia para o amante virtual a mesma coisa, mas de maneira mais feminina. Não me pergunte de quê maneira feminina fala uma mulher do seu romance triste. É coisa de mulher. Sei que após nutrirem esses relacionamentos à distância, sentindo-se ambos apaixonados pelas criaturas virtuais, mas sem coragem para terminar o casamento, optaram por conhecer seus respectivos ao vivo – e quem sabe assim tomarem uma decisão. Claro que um não sabia do caso extra do outro. Isto é óbvio. Mas é de outra ignorância que vou falar. O que eles não sabiam, e que realmente interessa a alguém que queira comentar trivialidades no boteco, é que os amantes virtuais que mantinham eram justamente os amantes reais que formavam na vida cotidiana. Enrolado? Não. Apenas complicado de se entender que um casal à beira de se separar, tenha conseguido se reapaixonar virtualmente e, pior, manter uma relação de meses nessas condições ainda que, diariamente, ao vivo só se permitissem brigas e mais brigas. É tão bizarro que sequer eles se dispuseram a compreender. Frustrados em dobro, sentindo-se sós em dobro, terminaram o casamento e procuraram seus advogados alegando traição. Porque de se amarem à distância, talvez não se amassem juntos. Ou talvez porque foram capazes de se apaixonar novamente – ignorando que novamente se apaixonaram um pelo outro – e isto provava a falência do casamento amoroso. Quem sabe até tenham terminado pela tristeza que foi descobrir que não havia os amantes tão esperados, com os quais tanto sonharam; aquelas pessoas idealizadas eram literalmente virtuais e eles, mais do que ninguém, tinham absoluta consciência disto. 
 
 
 
"Quando eu te escolhi
para morar junto de mim,
eu quis ser tua alma,
ter seu corpo, tudo enfim.
Mas compreendi
que além de dois existem mais..."

 

 

 

ABALADA NA BALADA
Ai, que engraçado!
É NO PAGODE
VAI DAR CARNAVAL
Pára tudo!
       
 
   
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