TPM - Taty Paty Matias

╔ ˇbvio!


 
 Há coisas absurdamente óbvias. E há coisas misteriosas, as quais nos exigem "mais pensamento". No entanto, as óbvias, às vezes, parecem nos "forçar" a falar mais – o que, automaticamente, nos exigirá mais "pensar a respeito". Vou explicar...
 
A começar por um exemplo que já dei em "Ai, que estresse!". É a clássica pergunta: "Vai pagar à vista?", e você com o dinheiro na mão. Não é irritante? É. E o mais irritante disto é que você tem de responder à pergunta – no mínimo balançando a cabeça.
 
Digamos, por exemplo, quando você vai abastecer o carro:
- Coloca 10 pila pra mim?
- Gasolina Comum?
P... Q... P...! É óbvio que é gasolina comum! Por dois motivos: 1º) Porque você não mencionou o tipo, se quisesse aditivada, diria; 2º) Porque você está colocando míseros 10 reais. Ou seja, você tá na merd*, só tem 10 pila na carteira, por que iria desperdiçar colocando uma gasolina centavos mais cara? Céus, que falta de bom senso!
 
Outra situação: você terminou uma relação amorosa de anos, finalmente conhece alguém legal para sair, mas durante o "evento" acaba encontrando uma pessoa "íntima" do casal que você formava anteriormente. A pessoa olha para sua/seu acompanhante, em seguida para você, e pergunta:
- Nossa, quanto tempo! Vocês sumiram. Liguei para convidá-los pro aniversário do Neto, faz uns dois meses, não retornaram. Liguei também há algumas semanas pra(o) Fulana(o), ela(e) estava tão estranha(a)... Vocês terminaram?!
 
Grrr! Dá vontade de, de, de... Melhor não documentar. Fato é que com relação aos assuntos do "coração", a obviedade é de praxe. Por exemplo, toda vez que você vai a um evento de família sozinha (entende-se: só com seus pais, que mal há nisso? O nome já diz: evento de família), tem sempre uma tia querida pra perguntar: cadê o namorado? É óbvio que você está sem namorado, ou que brigou com ele, ou que ele achou um saco a programação e não quis ir. Vejam, Tias, quantas coisas óbvias!
 
Tem uma famosa. Essa é espetacular e bastante comum no meio jornalístico: a pessoa saindo do hospital após visitar o filho atropelado; ou do enterro do marido seqüestrado e esquartejado; ou do cativeiro onde viveu dois meses de terror, e o repórter lhe enfia um microfone na cara e pergunta "Como você está se sentindo?". Pelo amor de Deus Todo Poderoso! Como assim, né? É óbvio que a pessoa não está se sentindo bem. É ló-gi-co! E isto acontece com a gente rotineiramente também, por exemplo, quando você está caminhando pelo centro, tropeça e se estatela no chão. A pessoa que consegue conter o riso e te ajudar sempre pergunta "você está bem?". O que ela esperava, que você tivesse morrido? Óbvio que você está "bem", diante das coisas horríveis que podem acontecer a um ser humano desatento, mas está péssimo pelo MICO de ter tombado em público – sem contar a torção no pé.
 
Pra finalizar, a básica: você está dormindo e te ligam às sete horas da manhã. Aquela voz rouca óbvio que é de SONO, mas a pessoa pergunta: você estava dormindo? "Não, imbecil, eu estava gritando tanto pra você me ligar que seu inconsciente ouviu e me ligou!". Cara, o pior é que a gente costumeiramente responde que "não", pra não se sentir mal educada ou sei lá, pra não fazer o outro se sentir mal – sendo que o outro devia se sentir assim, afinal, mal educado foi ele – respondemos "não, eu já estava acordando..." tentando afinar a voz. Puro teatro manjado!
 
Agora, não vale também irritar-se com perguntas óbvias sendo que todos nós, invariavelmente, as fazemos - quer para ganhar tempo e ter o que dizer ou por mera distração. Então, tratemos de controlar o impulso besta de fazer perguntas idiotas e pensar antes de lançar "Você publica toda semana?" para um colunista semanal, ou "É pra viagem?" quando a pessoa lhe pede para embrulhar a comida, ou "Você tem gato?" quando alguém comenta sobre o seu bichano. 
 
 
"Saia do ócio
Não caia no óbvio
Não quero ter um sócio
Eu quero um antídoto
pra viver melhor..."

 

 

 

ABALADA NA BALADA
Ai, que engrašado!
╔ NO PAGODE
VAI DAR CARNAVAL
Pßra tudo!
       
 
   
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