TPM - Taty Paty Matias

VAI DAR CARNAVAL


 
Vai dar Carnaval!
 
 Feriado é bom. Feriadão é melhor ainda. Porém, às vezes acontece de a gente não estar “no clima” das festividades e aí, bem, no inverno ou no verão, a coisa fica quente. Muy caliente!
 
No ranking das comemorações que mais incomodam quando não se está para comemorações, creio que Carnaval esteja em primeiro lugar, sucedido por Natal e Dia dos Namorados. O Carnaval, convenhamos, é exaustivo. Tem gente que não quer que acabe e tem gente que não quer nem que comece porque custa a chegar a quarta-feira –de cinzas, xepas, latas de cerveja e forte odor de urina pelas ruas da cidade. Eis que na segunda-feira você finalmente consegue aproveitar para pagar alguma conta ou fazer compras de supermercado ou, sei lá, comprar um livro no centro da cidade. Todo mundo sabe que o Centro é a sede do Carnaval. Todos os blocos desfilam por suas ruas, sem distinção quanto à “fama” que o local possa ter – como no caso da Conselheiro Mafra, o point das autônomas; da alfândega (ao lado do mercado público), moradia dos bêbados e suas crias que passam as tardes mergulhando no chafariz; a avenida Hercílio Luz, definitivamente nada atraente, que no seu dia-a-dia normal só serve mesmo de estacionamento; entre outros pontos carnavalescos. Continuando a minha linha de raciocínio: você se aventurou a comprar ou pagar alguma coisa na segunda-feira, praticamente em meio ao Carnaval. Logo na saída do prédio, já hesita. Esbarra no vizinho que está alojando outros 6 jovens em seu apartamento, que acabaram de acordar (duas horas da tarde) para ir a praia com aquele isoporzinho cheio de cerveja: o gelo já derretido escorrendo pela caixa, fazendo um caminho de sujeira molhada do corredor até a entrada do prédio. Já na rua, aquele cheiro de lixo, cheiro de sol na urina, de cachorro na chuva, sei lá, um cheiro diferente; de Carnaval. Se você for esperar um ônibus, sabe lá Deus se ainda passa ônibus. Há dias não vê outra coisa senão homens barrigudos de bermuda caindo e mulheres histéricas cambaleando. Então, pega o carro e logo ali na frente, naquele caminho que você está acostumado a fazer tranqüilamente, um engarrafamento. Não dou 30 segundos para você estar bufando, esmurrando o volante, abrindo os vidros da janela – se for fumante, antes mesmo de parar o carro, basta avistar a fila, já está acendendo um cigarro. É aquele amontoado de carro e gente mal vestida querendo atravessar fora da faixa – porque tem carro na faixa de pedestres; tem polícia apitando, tentando colocar ordem, sabe, o policial também de ressaca – tem cachorro maltrapilho passando contente com um saquinho de lixo na boca; umas patricinhas no carro ao lado cantando pagode; uns garotos no outro, cantando as patricinhas; e você ainda tem que mudar de pista! Para encurtar a história, quando chega ao Centro, se olhar para a lotérica, para o banco ou para qualquer estabelecimento comercial, perceberá que metade de Floripa teve a mesma idéia que você – a outra metade, nessa época do ano, é turista: está atulhada nas praias tomando cerveja e jogando frescobol.
 
Como você se desenrola de tal situação? A menos que tenha a sorte de uma casa de campo ou se hospede em algum hotel fazenda – afinal, Santa Catarina é abençoada por seus paradoxos – o mínimo que você pode fazer por si mesmo é chegar em casa, tirar a blusa, abrir uma lata de cerveja e colocar o som de sua preferência – e, dê preferência, bem alto!

 

ABALADA NA BALADA
Ai, que engraçado!
É NO PAGODE
Pára tudo!
Prometo não prometer mais nada!
       
 
   
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