TPM - Taty Paty Matias

É NO PAGODE

É no pagode!
 
 Hoje eu vou falar sobre o lirismo poético das letras de pagode. Um ritmo que movimenta e emociona pessoas do Brasil inteiro, colocando-as para rebolar ou para chorar com versos como “coração não é de papel que você amassa e joga fora” ou “pirou minha cabeça e o coração feito bola de sabão”.
 
Ouvir pagode é algo irreversível sendo que ao menos uma frase vai ficar na sua cabeça por horas e horas, talvez dias ou anos. Quer um exemplo? Quem não se recorda daquele pagode antiqüíssimo “tô legal, apesar disso tudo, tô legal...” ou o famoso “marrom bombom” e, ainda, “tô chegando na Coabi pra curtir minha galera” – sem mencionar os sucessos de Raça Negra e Só Pra Contrariar.
 
Voltando às rimas ricas das letras de pagode, gostaria de destacar uma mais atual, do grupo Jeito Moleque, na qual o cara diz que vai esperar por ela “no céu, na mão, no chão, nas nuvens”. O que diabos a palavra “mão” está fazendo ali? E como ele esperaria por ela no céu? Por acaso está morto? “Nas nuvens” é pura poesia, agora “no chão” é pra lá de sem graça, né. Além disso, um olhar malicioso sobre a letra pode interpretar esse esperar “na mão” como uma atitude acomodada do rapaz, de querer tudo sempre na mão – afinal, ele não diz que vai buscá-la, mas esperá-la.
 
Tratando-se de pagode, legais mesmo são as metáforas: “como a camisa e o botão... como a estrada e o caminhão”; ou algo mais picante: “esse vulcão que está em ti provoca erupção em mim”; mais romântico: “o céu e o mar, a lua e a estrela, o branco e o preto, tudo se completa de algum jeito”.
 
Tem pagode que fala de pagode (multiplique “é no pagode, é no pagode” por 14); tem pagode que fala sobre amizade, família, sobre tristeza e alegria. A maioria envolve mulher e nesse sentido os que mais chamam atenção são aquele que falam sobre traição. É um tal de marmanjo cantar “essa noite eu fiquei só, carente, precisando de carinho” e “agora vem aqui dizer que vai mudar, dá vontade de rir, não dá pra acreditar”. Antes eram as mulheres que se sentiam carentes, abandonadas, iludidas. Depois que “o pagode pegou na veia”, a história quase se inverteu. A mulherada está arrasando corações: fazendo “greve de amor” e deixando-os completamente “sem radar”.
 
Claro que ainda existem os homens à moda antiga. Perceba as letras de “eu prometo te dar carinho, mas gosto de ser sozinho livre pra voar” ou “melhor amiga da minha namorada, eu tenho medo, mas desejo você” e, por fim, “vou ligar pra ela e vou dizer: - Vai se f...! Tô com outra mais gostosa que você”.
 
É... O pagode é “fato consumado” na vida dos brasileiros. E se você por acaso não consegue dançar nem chorar quando escuta uma música de pagode, garanto que no mínimo é capaz de rir.

ABALADA NA BALADA
Ai, que engraçado!
VAI DAR CARNAVAL
Pára tudo!
Prometo não prometer mais nada!
       
 
   
desenvolvido por VirtuaComm Soluções Internet