TPM - Taty Paty Matias

Ai, que engraçado!

 Rir é um verbo precioso. Saber rir é uma arte. Claro que não existe “o modo correto de rir” – não teria mesmo a menor graça – mas existem formas de perceber se o riso é espontâneo ou forçado. Há pessoas que preferem anunciar “que engraçado” em vez de simplesmente rir. Eu, particularmente, considero um desrespeito à comédia. Se for engraçado, queira fazer a gentileza de estampar na face; até para se medir o quanto aquilo realmente teve graça para você. Às vezes, porém, não se pode rir. Você está em uma daquelas situações embaraçosas cujo alvo da sua risada não pode percebê-la. Ele é seu chefe? Seu professor? Um policial de trânsito? Não sei, mas não ria! Rir é quase um deboche quando a pessoa com quem você está não sente vontade de rir. Ou um ataque infantilóide caso a pessoa tenha razão em “não rir” e você concorde que não sabe por que está rindo. Mas é bom. É sempre bom. Exercita os músculos da face, libera endorfina, contagia os demais com alegria...
 
Acontece que eu conheci uma garota que não tinha auto-conhecimento no que diz respeito a “ser engraçada”. Ela começava a história como se fosse ser divertida e, de repente, a história havia terminado e você não via motivo para rir. Não que fosse uma tragédia! De maneira alguma. Era simplesmente um “causo” sem graça. Ela se contorcia toda para contar e fazia caras e bocas, mas não dizia nada que tivesse a mínima graça. Por exemplo: “(risos) Isso me lembra uma conversa que tive com meu pai esses dias. Ele já veio todo assim, né – mas não imita, simplesmente diz “assim né” – aí olhou pra mim com aquela cara dele – mas não caracteriza, simplesmente diz “com aquela cara” – e disse “eu não quero que nada aconteça com esse meu bebê” – então, ela faz uma pausa piscando os cílios com velocidade e prossegue – e eu só falei assim “Senhor Carlos, senhor Carlos...”, e ele respondeu “Carolina, Carolina...”.
 
Vamos colocar essa história em forma de diálogo para facilitar a compreensão e vocês também poderem julgar se lhes parece ou não divertida:
- Eu não quero que nada aconteça com esse meu bebê – comentou o pai-coruja.
- Senhor Carlos, senhor Carlos... – respondeu a filha sem-graça.
- Carolina, Carolina... – imitou o pai-coruja.
 
Primeiro que eu havia contado algo muito engraçado, que a fez rir por vários segundos. Logo, ela não podia ter dito que aquilo lhe recordava um acontecimento como esse tão sem graça. Segundo quê: AloOu, você não sabe deixar uma história engraçada!
 
A garota era irmã do rapaz com quem eu estava ficando. Tive de suportá-la uma noite inteira, fingindo interesse em suas historinhas mornas, enquanto o rapaz recebia os convidados para o seu aniversário. Convidados, por sinal, engraçadíssimos! Enquanto eu tentava buscar energias para rir da garota sem graça, ouvi um deles contar que sua ex-namorada era tão inconstante durante a TPM que, certa vez, começou a chorar quando foi jantar na casa dele e ele lhe serviu ovelha.
 
 
“Deixa-me rir
Essa história não é tua
Falas da festa, do sol e do prazer
Mas nunca aceitaste o convite
Tens medo de te dar
E não é teu o que queres vender”

 

 

ABALADA NA BALADA
É NO PAGODE
VAI DAR CARNAVAL
Pára tudo!
Prometo não prometer mais nada!
       
 
   
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