TPM - Taty Paty Matias

ABALADA NA BALADA


Sair na balada é com certeza uma diversão, mas não deixa de ter seus perrengues. Principalmente para a mulher. Já começa com a preparação em casa, que todos conhecem: cabelo, roupa, maquiagem. Sentir-se bem emocional e esteticamente é fundamental. Mas às vezes a gente sai mesmo sentindo-se triste. E às vezes a gente sai mesmo sentindo-se gorda ou magra demais. Pensa que não tem sapato, que não tem vestido, que não tem acessórios... É que já enjoou de tudo que tem e pensa, além disso, ue todos já decoraram seu figurino de balada. É diferente de quando sai com roupa nova: “vestida para matar”, se sente. Chegando lá, opta por ingerir bebida alcoólica ou não. Se sim, sabe que terá de recorrer mais vezes ao banheiro. E essa parte é provavelmente a mais angustiante da noite. Mesmo que você vá ao banheiro antes de a vontade surgir, chegando lá, ao se deparar com a fila, parece que a bexiga se comprime. Geralmente a gente deixa pra ir quando já está apurada, o que é pior. E já diante do objeto de desejo (vulgo: vaso sanitário) precisa se preparar para a ginástica. Se a porta não está fechando direito, tem de se segurar com uma das mãos no trinco e a outra na parede às suas costas de modo que, com o peso lançado para trás, a porta mantenha-se fechada. Mas não é assim que ocorre, porque temos de segurar o vestido, a saia, a calça... para que não encoste no chão – nojento. Também temos de enxergar onde estamos mirando. E mira de mulher não é algo simples como a dos homens, de jato único. Pode ter três direções; é terrível equilibrar-se com braços e pernas tão afastados. Depois disso, tem fila também em frente ao espelho e para lavar a mão. Às vezes uma dita cuja resolve refazer toda a maquiagem e você tem de ficar esperando até que ela libere a pia – nossa, “pia”, que palavra arcaica e tola... já deviam ter inventado algo mais chique de se dizer. Aí, a gente sai do banheiro com aquela expressão límpida de quem não passou nenhum sufoco; dá de cara com aqueles caras avulsos que nos cantam, seguram alguns dos nossos fios de cabelo, que deslizam em seus dedos até que nos afastemos – irritante. Para alguns dos “chavequeiros”, basta dizer um “não”. Para a maioria, é preciso dizer, redizer, gritar, esbofetear até que, enfim, eles desistam de você. No fim das contas o cara nem quer mais te beijar, quer só encher o saco mesmo porque gostou de te ver frágil e incomodada. Ou porque está bêbado e ponto final. Tem boates que é assim, mas tem outras em que é mais comum ver as mulheres atacando. Algumas não se percebem, mas estão se oferecendo, dançando que nem a Fergie, de baixo até em cima, de cima até em baixo, encostando-se nos homens em volta – esbarrando nas mulheres em volta; caminhando e tropeçando, alcoolizadas, gargalhando quando em contato com algum cara “gentil” que a amparou nos braços em um de seus tropeços; volta e meia tem uma amiga para atrapalhar a ainda chamada “paquera”, ou porque atrai também o olhar do cara, ou porque está bêbada e impertinente, ou porque está enjoada e quer ficar no banheiro, ou porque quer ir embora “cedo”, ou ou ou ou... Às vezes é você que não tem mais ânimo para permanecer naquela situação de balada, mas como está de carona, tem de suportar aquilo até o fim – e não tem fim predefinido: pode ser às duas horas da manhã, pode ser às seis. Então, vamos embora, tortas, com dor no pé, nas pernas, na garganta – para se ouvir, tem que gritar... não tem? Sei lá. A gente grita. Caminhar até o carro ainda tentando manter certa pose – a maioria relaxa assim que passa pela porta da boate – encontrar o carro, convencer o “guardador” de que você já pagou para o cara que estava ali quando chegou - e que disse que continuaria ali até o final da festa – mas ele quer dinheiro, vá lá, medo de ser atacada, de marcarem a placa do carro, melhor descolar mais 5 pila pra esse também, vai comprar drogas, fazer o quê. Entrou no carro. Relaxou? Não. Tirar os sapatos, ajeitar o espelho retrovisor (quando você chegou, o apontou para si a fim de dar os últimos retoques na maquiagem). E aí é só dirigir até em casa, com o cinto apertando a sua bexiga e o cheiro de fumaça inebriante que você trouxe da boate para dentro do carro.
 
 
"Toda boate tem um fundo de verdade,
quem não pode com a  mandinga,
não me tira pra dançar..."
 

 

Ai, que engraçado!
É NO PAGODE
VAI DAR CARNAVAL
Pára tudo!
Prometo não prometer mais nada!
       
 
   
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