Fala Mulher

Meninas perdem o medo do boi da cara preta



 Se o mundo dos homens já não põe mais medo nas mulheres, imagine topar com o boi da cara preta... A Cinderela já não é mais a mesma, mas continua tendo uma princesinha dentro de si. E se peão de boiadeiro abrir a porteira vão surgir novas prendas de boiadeiro. Fernanda Di Paula Martins de 17 anos vem arrasando nas competições de laço em rodeios na Grande - Florianópolis. Acostumada a pegar boi no laço, a jovem de Santo Amaro da Imperatriz já coleciona troféus. Tanto ela como a campeã brasileira de rodeios, Mariana Borges, representante de São José, estão, há cerca de dois anos, competindo em provas campeiras de tiro de laço que exigem coragem, domínio e precisão neste campo em que os homens sempre competiram sozinhos e a resistência à presença feminina ainda é muito grande. Nem boi, nem cara feia é impedimento para os desafios que elas encaram na arena.
Quebrar toda uma tradição não é fácil, nem nas provas de rodeio nem tampouco nas próprias famílias, mas as que encontram apoio na família, como é o caso de Fernanda, seguem na direção do que lhes dá prazer. O domínio do cavalo "Campeão" é impressionante. Ao disparo do boi, o cavalo sai também em disparada e é preciso coordenar os movimentos do animal aos movimentos do laço e ainda não perder o foco do boi. Tudo isso em questão de segundos, já que não basta laçar o boi, tem que ser o mais rápido a fazê-lo. A última conquista de  Fernanda aconteceu nas competições no CTG Boca de Serra entre os dias 19 e 22 de junho. Pela segunda vez sagrou-se campeã de Laço Prenda. Foi o CTG Vô Dirço (de Governador Celso Ramos) que praticamente abriu as portas para as meninas competirem. Pelo menos as seleções, exclusivamente de mulheres, foram criadas por apoio desse Centro de Tradições Gauchescas. Até na narração das competições, as meninas enfrentam o preconceito. Poucos narradores apóiam a presença das mulheres em rodeio. Mas o narrador Bueno é o maior dos incentivadores.
Fernanda começou a competir na modalidade vaca parada aos sete anos. Estimulada e também pelo pai, segundo ela. "Sempre que o meu pai ia aos rodeios com os amigos eu ia com ele. Assistia tudo aquilo e quis aprender também. Tive a oportunidade e já gostava", conta a jovem. Elas encontram feminilidade, mesmo trajando a indumentária que os homens também usam. Apesar da bombacha, camisa, laço chapéu botas e cinto, as curvas femininas são ressaltadas numa silhueta mais colada aos contornos do corpo dando a graça feminina. Além disso, algumas optam por detalhes cor de rosa nas camisas laços, acessórios e bordados floridos nas calças. Precisam lembrar a todos que é uma mulher que está ali e a atividade não vai masculinizá-las.
 Apesar dos CTGs serem lugares bem familiares, alguns ditados gaúchos ainda são humilhantes para a condição feminina como é o caso de "A criatura perfeita que Deus criou foi a mulher: burra, trabalhadeira e submissa ao homem". Mas é lógico que essa linha de pensamento não se estende a todos os homens e é com a ajuda e incentivo de muitos deles que as mulheres têm enveredado por outras paragens. A grande maioria leva como piada.
 O empoderamento das mulheres ainda é ameaça para boa parte da sociedade, mas não para todos. E à medida que as mulheres vão assumindo o poder em outras esferas, encontra resistências e o caminho inverso também tem sido trilhado por vários homens que ouvem piadas a respeito de suas escolhas. A cozinha já não é mais território exclusivo das mulheres e, cá entre nós, eles estão se saindo maravilhosamente bem nela. Muitos superam as habilidades antes femininas. E sexismo e segregação não estão com nada.
Enfrentar tantos desafios, só torna as pessoas mais fortes para seguir adiante.  Respeitar e aceitar diferenças, ainda é um exercício que poucos ousam fazer. "Há pouco mais de um ano venho competindo em provas exclusivamente para mulheres. Antes disso, a gente competia contra os homens", conta Fernanda. Mas ainda não são vistas com bons olhos. E o preconceito, diga-se de passagem, não é só de homens. Muitas mulheres também reforçam a cultura de que a arena é lugar para homens e não estimulam a participação de suas filhas.
 Fernanda atribui parte de suas vitórias ao apoio a família e ao relacionamento que tem com seu cavalo "Campeão". "Dou banho nele, escovo o pêlo... Ele é calmo e carinhoso. O animal é como o dono. Se o dono for nervoso, o animal também fica", explica. Há quase dois meses Fernanda está solteira. "Embora ele me apoiasse nas competições, não tínhamos os mesmos ideais".
 No ano que vem, ela presta vestibular, mas ainda está dividida entre a faculdade de Educação Física e Designer.
 Prenda – Em 2007, Fernanda exerceu o cargo de 1ª Prenda Juvenil do CTG Boca da Serra de Santo Amaro da Imperatriz.
 
  
 
 Futsal é outra paixão da jovem
 
 
  O esporte é o forte de Fernanda, uma ariana legítima, que gosta de desafios. Além de laçar boi, a jovem pratica futsal. É no Centro Municipal de Esportes de Santo Amaro que ela treina. Já é medalhista nas Olimpíadas do Estado de Santa Catarina (Olesc). No esporte ela faz a função de pivô (atacante).
 "Quando eu era criança brincava de futebol com os meus primos. Uma vez estava participando dos jogos escolares no futsal. O técnico do time feminino de Santo Amaro me viu jogando e me fez o convite para integrar o time dele. Eu fui. Em 2007, fomos vice-campeãs na microrregional da Olesc e também da micro. E nesse mesmo ano, a gente ficou em terceiro lugar na Copa Malwee de Futsal".
 Em alguns lugares onde competem, as meninas encontram instalações ainda muito precárias para recebê-las. Mas outros locais já oferecem vestiários femininos e segurança, segundo conta. Ela garante que são muito bem recebidas pelos garotos que praticam o futsal. "Somos muito amigos". "Meu pai também me deixa viajar para competir em vários locais do estado", completa.
 Lazer - São muitas as oportunidades de lazer que o município de Santo Amaro da Imperatriz tem para a juventude. Se o jovem tem interesse pela história, os caminhos feitos pelo imperador e pela imperatriz são uma aula. Mas se gosta de dançar ou ir a um show, inclusive com atrações internacionais, a melhor danceteria da região traz. E atrai um público de outras regiões também. As festas populares, como a Festa do Milho e os rodeios em CTGs, são disputadíssimos. As festas religiosas também. Além disso, os esportes radicais como o vôo livre, rafiting, entre outros, chamam à atenção dos aventureiros. Os parques aquáticos, as cachoeiras, as trilhas ecológicas, enfim há uma infinidade de campinhos de futebol e horizontes bordados por lindo relevo. 
 

 

 

 

 

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