Fala Mulher

Serralheira aposta em novos mercados


 

 As mulheres estão sempre surpreendendo os limitados. Márcia Batista jogou o emprego seguro que tinha para o alto e apostou numa nova profissão: serralheira. Mãe de três filhas, ela cansou das ausências do marido que precisava trabalhar muito longe de casa e propôs a ele que abrissem mão dos seus empregos e montassem o próprio negócio. Como ele já havia tido experiência no ramo de serralheria, Márcia acreditou e apoiou o marido na implantação de uma. Atualmente, é ela quem passa mais tempo entre compras de materiais, montagem e instalação de boxes para banheiros, portões, sacadas, esquadrias e grades para muros. Mulher corajosa, Madona, como é conhecida, não se intimida nem quando a obra é um prédio inteiro. E como a cantora Madona, nossa mulher dessa edição também rompe tabus e despreza preconceitos.
 Antes de entrar nesse ramo Márcia trabalhava incansavelmente num hotel em Caldas da Imperatriz, Santo Amaro. "Lá eu fazia de tudo. Sempre que faltava algum funcionário, o gerente me acionava para cobrir a ausência. Atendia no bar, na cozinha... Não tinha função que eu não fizesse. Às vezes, entrava às 7 da manhã de um dia e só saía às 7 horas do outro. Mas o que me incomodava é que meu marido também trabalhava em um hotel em Canasvieiras, em Florianópolis, e ficávamos até 15 dias sem nos vermos. Então resolvemos que precisávamos montar nosso próprio negócio. Assim multiplicamos nosso trabalho para guardar dinheiro para atingir nossa meta. Os equipamentos são muito caros e tivemos que nos sacrificar bastante, mas conseguimos", conta ela.
E, como no hotel, Márcia ainda não tem descanso, mas tem as filhas sempre por perto e o marido também. Bentinho – o marido – também é incansável. Além da serralheria, trabalha com Buffet e é garçom nos camarotes da danceteria New Time. "Atualmente, mais do que triplicamos nossa renda mensal. E eu passo mais tempo aqui dentro do que ele. Ainda visito os clientes aos sábados e domingos para tirar as medidas do local em que vamos fazer o trabalho", descreve. Ela administra bem o seu tempo. "Nas segundas, terças e quartas feiras fabrico as peças, nas quintas e sextas eu instalo e ainda no final do dia da sexta vou comprar o material que falta para a semana seguinte. E aos sábados e domingos visito os clientes para tirar as medidas".
Márcia conta que no início da atividade chegou a ter seis funcionários. "Meu marido achava que eu precisava de ajuda. Mas acabava tendo que refazer o trabalho deles nos finais de semana em razão de queixas dos clientes. Não era essa a imagem que eu queria para a empresa".
 
 
       

No seu dicionário não existe fracasso

 

 Determinada em ser bem sucedida profissionalmente, Márcia "Madona" demitiu os funcionários e resolveu abraçar os negócios com o marido. A renda seria melhor e teria certeza do capricho. "No começo, as pessoas desconfiavam de ver uma mulher entrar em uma obra para tirar medidas das esquadrias. Quando eu ia instalar, o susto do mestre de obras era ainda maior. Mas o fato de eu ser mulher acabou se convertendo em uma vantagem para nós. Hoje tem clientes que me chamam, porque acham que a mulher capricha mais nos detalhes e se preocupa em não cometer erros. Cuida de detalhes minuciosos". Ela executa o trabalho com bastante maestria e rapidez impressionante.
Tem intimidade com as ferramentas, mas não foi sempre assim. "No começo eu não sabia nem o nome das ferramentas, mas dois anos mais tarde eu já fazia qualquer trabalho de serralheria. Agora já faço isso há seis anos e, é muito simples para mim".  Tudo o que se propõe fazer tem que estar muito próximo da perfeição. É assim em todos os seguimentos da sua vida. As filhas - uma com 18 anos, outra com 14 e oito anos, a caçulinha - foram amamentadas até os dois anos. Quando Márcia abriu o negócio a filha menor tinha dois anos. "A mulher precisa ajudar o marido. Nós tínhamos três filhas. As duas mais velhas criei praticamente sozinha, porque ele trabalhava muito. Resolvi que nossa família ficaria mais unida se tivéssemos coragem para arriscar. Foi uma decisão difícil. Graças a Deus, saiu melhor do que esperávamos. Além disso, nunca faltei a uma reunião no colégio das filhas, nunca deixei de vaciná-las, nunca deixei de acompanhá-las ao médico para exames periódicos ou doença e nunca pedi a mãe ou sogra que cuidassem delas para mim. Se precisasse por alguma razão me ausentar, preferia pagar alguém para ficar com elas. A gente toma decisões na vida e tem que ser responsável por elas".
No começo achava sua rotina sacrificante, mas à medida em que as meninas iam crescendo, as tarefas domésticas iam sendo dividas. Márcia é muito criteriosa com o trabalho doméstico. Tem ajuda da filha mais velha. E ainda encontra tempo para fazer tricô, crochê e construir a casinha de bonecas da filha mais nova. O jardim da casa em que vive é impecável. "Adoro flores, especialmente as orquídeas", descreve orgulhosa da coleção de espécies que cuida pessoalmente.
Ela tem 39 anos, está casada há 19 e garante que agora está chegando a sua vez de cuidar um pouquinho de si. "Resolvi encontrar um tempinho para cuidar da minha aparência. Nunca me preocupei muito com isso. Nem dava tempo e mesmo que desse, eu me sentia culpada. O saquinho de culpa ainda está lá, mas agora é a minha vez", conclui.
 
 


Mulheres já ganham salários mais altos



 A estatística de que as mulheres ganham menos do que os homens está cada vez mais invertida em setores tradicionalmente dominados por empregados do sexo masculino, como a construção civil e as indústrias da borracha e extrativa mineral. Talvez essa mudança de perfil se deva à forma como as mulheres vêm se dedicando a esses trabalhos. Precisando ganhar respeito em atividades dominadas por homens, elas têm se desdobrado em aprimorar seus conhecimentos.
Números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, indicam que o salário inicial das mulheres supera em até 35% os vencimentos de admissão de trabalhadores em alguns setores. Há predominância feminina nos cargos que exigem os maiores salários, conforme entrevista dada a Folha On Line pelo o ministro da pasta Carlos Lupi.
Na maioria dos setores investigados, o salário inicial dos homens ainda é superior ao das mulheres, com exceção de setores que vêm contratando mais, como a indústria extrativa mineral (petróleo e gás, mineração) e construção civil. Nesses casos, explicou Lupi, as mulheres vêm ocupando os cargos que exigem maior nível de escolaridade, e conseqüentemente, pagam os melhores salários. 
"Em alguns casos, há cinco vezes mais mulheres do que homens ocupando cargos de nível superior", confirmou o ministro. Ele calcula que serão criados 2 milhões de empregos este ano. No primeiro semestre, foram registrados 1,3 milhão de novos postos de trabalho.
 O salário inicial médio é de R$ 1.401,63 para as mulheres, na indústria extrativa mineral, 35% acima do salário inicial médio dos homens, que não passa de R$ 1.039,76. Nos primeiros seis meses do ano passado, essa diferença era menor. A mulher empregada no setor recebia salário de admissão médio de R$ 1.005,92, ficando 16,4% acima dos R$ 863,82 que eram pagos aos homens recém-chegados ao mercado de trabalho neste segmento.



Fonte| Folha On Line
Fotos| Marco Cezar
Texto| Rita de Cassia Costa

 

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