Fala Mulher

Mulher garante sobrevivência da tapeçaria

 

 Algumas tradições seculares estão ameaçadas de desaparecerem no mundo. Uma delas é a tapeçaria artesanal. A maioria dos profissionais que atua neste ramo é formada por mulheres. Esta tradição, que já foi muito cultivada pela mão-de-obra masculina, voltou a ganhar fôlego com a entrada das mulheres no mercado de trabalho no período da Grande Guerra. De lá para cá, nunca mais as mulheres permaneceram em seus lares realizando trabalhos de “artes aplicadas” exclusivamente para a família e usaram suas habilidades para entrar na indústria da tecelagem e da tapeçaria, bem como em outros setores da economia mundial. Em Florianópolis, a tapeçaria assumiu expressão artística com um homem, o tapeceiro Almir Tirelli, que se radicou na Lagoa da Conceição e deixou um legado de obras de arte nos principais prédios públicos da cidade, como também em casas de famílias tradicionais do estado, do Brasil e do exterior. Tirelli dispensa comentários.
Em Santo Amaro da Imperatriz, município da Grande-Florianópolis, esta tradição é cultivada por um grupo de mulheres que trabalha numa fábrica de tapetes artesanais. A técnica do patchwork é muito utilizada com o couro como matéria-prima. Segundo a tapeceira Sílvia dos Santos, os tapetes em patchwork feitos com quadradinhos coloridos de couro são a “coqueluche do momento”. Ela diz que “não acumulam areia, são impermeabilizados e podem ser limpos com vinagre e ainda podem ir à máquina de lavar”. Práticos e lindos são os preferidos dos compradores, já que combinam com ambientes sofisticados, mas  também com os mais despojados e rústicos.
No entanto, esta técnica não é a mais fácil de ser utilizada na fabricação de tapetes. Tatiane Rodrigues que trabalha na montagem dessas peças conta que este trabalho é um pouco cansativo e repetitivo. “O couro é tingido, separado e cortado. As peças são numeradas, montadas em tiras, coladas com fita para serem costuradas e depois receberem o forro – colado – e o acabamento das bordas”, explica a montadora.
Sílvia trabalhava com pintura em tapetes e agora é costureira. Já Gorete Lohn tinha experiência com a fabricação de coletes salva-vidas. “Com o couro já trabalho há muito tempo, mas só há três anos estou no ramo da tapeçaria”. Ela diz que alguns tapetes levam dias para serem feitos, mas a produção da fábrica é em torno de 20 tapetes (2x3m) por dia. Elas manuseiam a máquina em ziguezague com muita destreza, unindo pedacinhos que vão parar nas melhores lojas do país.

 

Origem da técnica no mundo
 

 A tapeçaria é uma técnica que consiste, basicamente, na confecção artesanal de um tapete, tramado, em geral, pelo cruzamento ou agrupamento de estruturas de fios obtidos de fibras flexíveis naturais. O uso de fios coloridos e de técnicas diversas de entrelaçamento permite que figuras sejam compostas durante o processo de execução.  As informações sobre sua origem são desencontradas. A prática surge em épocas próximas e de forma semelhante em vários lugares do mundo. Na Antiguidade, era desenvolvida por povos que habitavam a Mesopotâmia, Egito, Grécia, Roma, Pérsia, Índia e China. Países do Oriente Médio, como o Irã e a Turquia, mantêm importante tradição na manufatura de tapetes, que, em geral, contêm elaborados desenhos geométricos.
Durante a Idade Média na Europa, a tapeçaria assume maior importância como elemento decorativo e funcional sofisticado cobrindo não só o chão dos palácios, bem como adornando suas paredes. As igrejas medievais também adotaram o seu uso. A tapeçaria ainda acompanha as transformações sociais e estéticas do mundo.
No Brasil, a utilização da tapeçaria como expressão artística pode ser encontrada em trabalhos, entre muitos outros, de artistas como Regina Graz , pioneira na renovação, na década de 1920, das artes decorativas nacionais; Genaro que passa a se dedicar à tapeçaria a partir de 1950 e cria, em 1955, o primeiro ateliê brasileiro desta arte; Norberto Nicola e Jacques Douchez , que em São Paulo, e na década de 1960, realizam uma investigação formal, rompendo com a bidimensionalidade tradicional da tapeçaria; Sorensen , Burle Marx  e Francisco Brennand , produtores de trabalhos valorizavam as especificidades dessa técnica.



Fotos| Marco Cezar
Texto| Rita de Cassia Costa

 

 

 

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