Fala Mulher

Sobe número de mulher em posto de gasolina

 

 Houve um tempo, nem tanto remoto, que falar em algumas profissões como taxistas, motoristas de ônibus e cobradores ou frentistas remetia imediatamente à figura masculina. Ainda que a situação ainda provoque espanto em algumas pessoas, as coisas mudaram. Certos paradigmas e preconceitos vêm sendo revistos nas estruturas organizacionais. E não são poucos os recrutadores que têm proposto às empresas que deem uma oportunidade a essa mão de obra que tem lutado para se qualificar para os mais variados setores da economia. As desbravadoras ainda sofrem mais do que as que já estão mais consolidadas em profissões em que a presença da mulher já e uma constante, como as médicas por exemplo. Uma dessas profissionais que, ainda, é atingida por preconceito é a frentista que está no mercado de trabalho há menos tempo. Mas o número de mulheres em postos de combustíveis cresce a olhos vistos. Jaqueline Cristiane da Silva, 18 anos, exerce a profissão de frentista há sete meses e trabalha em um posto de combustível, às margens da BR-101, próximo à entrada para São Pedro de Alcântara. E é ela quem vai retratar essa experiência.
Jaqueline completou o ensino médio, mas não tinha experiência e também encontrava dificuldade para ingressar no mercado de trabalho. Por intermédio de uma prima, que já trabalhava como frentista, conseguiu o contato com o posto de combustível e ganhou seu primeiro emprego.  “No princípio, vim porque era minha primeira oportunidade de trabalho. Hoje, adoro vir trabalhar. O ambiente de trabalho  é ótimo e os donos do posto nos tratam bem e são respeitosos”, conta. “Outra coisa que me prende ao trabalho é a perspectiva de crescimento. Existem possibilidades internas como ir para o ‘caixa’ ou um dia gerenciar uma loja da rede. Vou trabalhar para isso”, revela.
Apesar de não se deixar abalar por alguns comentários ou exigências preconceituosas, a garota descreve situações em que percebe a presença do preconceito resultante de seu contato com o cliente. “Na maioria das vezes vem dos homens a exigência de um homem para abastecer os veículos, mas algumas mulheres também pedem para serem atendidas por um homem”. Isso é pra ver que o preconceito não escolhe sexo. É mais democrático que o preconceituoso. Contudo, seus empregadores têm estado abertos para receber a mão de obra feminina. São várias mulheres que trabalham na rede. Não são preferidas, nem tampouco, preteridas. Quando Jaqueline se vê diante de um usuário que pede para ser atendido por um homem, primeiro ela tenta argumentar que está preparada para atendê-lo, mas se nem assim o convence, chama um colega para substituí-la. “Eu sigo em frente e vou atender outro cliente até porque não é a maioria”, garante a moça que ainda se preocupa em não deixar o cliente insatisfeito.



Cantadas também são frequentes
 

 As cantadas pode-se dizer que são frequentes em quase todas as profissões. E em alguns casos, hoje em dia, não são prerrogativa só dos homens. As frentistas não estão excluídas no que diz respeito a cantadas. Imagine para uma trabalhadora que está às margens da BR-101 onde o fluxo de veículos é enorme. Mas constrangimento é comum, principalmente para quem tem apenas 18 anos. “Eu prefiro fingir que não ouvi, mas se for um comentário leve e não ofensivo agradeço e entendo como elogio”.
Jovem e bonita, Jaqueline Silva está casada há três meses. Seu marido, Alexandre da Silva Bueno, trabalha com ela no mesmo posto de combustível. Ele também é muito jovem, tem 22 anos, mas é um grande incentivador, segundo ela. Foi seu instrutor quando ela estava dando os primeiros passos na profissão. Atualmente, ele trabalha como caixa do posto de combustível, mas começou como frentista. É inspirada no crescimento profissional dele que pretende prosseguir nos estudos e alçar voos mais altos. Como a jornada de trabalho dela vai das 6 horas até as 12 horas, tem a tarde livre para estudar. “Não pretendo ser frentista para sempre e, para melhorar, vou estudar mais”, completa.



Renda do casal garante construção de novo sonho
 

A renda do casal já está permitindo a realização de novos sonhos. Estão reformando a casa em que moram e a próxima meta é a compra do primeiro carro. Ela está sempre confiante em relação ao futuro. O amadurecimento pessoal veio em razão da separação dos pais. Algo na relação dela – não quis revelar – com os pais não ia bem e deixou a casa deles para viver com os padrinhos. Esse foi o ponta pé inicial para operar todas as mudanças em sua vida.
Triste e ainda sem poder conversar sobre o acontecido, Jaqueline garante que os problemas poderiam tê-la levado a trilhar caminhos mais tortuosos até pela pouca experiência de vida. No entanto, preferiu buscar os tios, que são seus padrinhos, e encontrou neles o apoio para dar a volta por cima. A prima ajudou no pleito do emprego. E o resto foi determinação em fazer “o certo”. “Sempre que tenho uma situação que não me agrada, tento reverter”, conclui



Aumento da participação feminina no mercado

Segundo a Fundação Carlos Chagas, que analisou o comportamento da força de trabalho feminina no Brasil no último quarto de século, o que chama a atenção é o vigor e a persistência do seu crescimento. Com um acréscimo de 25 milhões de trabalhadoras entre 1976 e 2002, as mulheres desempenharam um papel muito mais relevante do que os homens no crescimento da população economicamente ativa.
Enquanto as taxas de atividade masculina mantiveram-se em patamares semelhantes - entre 73 e 76% em praticamente todo o período -, as das mulheres se ampliaram significativamente. Se em 1976, 28 em 100 mulheres trabalhavam, adentramos o novo milênio com a metade das mulheres trabalhando ou procurando um trabalho.


Saiba mais|

Perfil profissional do frentista|
Atua em postos de gasolina. É o responsável por atender clientes, manusear equipamentos e instrumentos, abastecer os tanques de combustível e verificar as condições de fluídos dos veículos (óleo do cárter, óleo de freio, nível de água do radiador). Profissional de extrema importância, pois também desenvolve atividades de comercialização de produtos e, de sua atuação, depende a imagem dos postos diante aos clientes.
 


 
Fotos| Marco Cezar
Texto| Rita de Cassia Costa

 

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