Fala Fotógrafo

Paulinho Ferrarini | o fotógrafo cidadão


 Ele é um fotógrafo cidadão, mas também um cidadão fotógrafo. Cidadão do mundo que ganhou, legitimamente, o título de “Cidadão Honorário de Florianópolis”, em 2006. Paulinho Ferrarini é um paulistano que vive na Ilha há 20 anos e já fez muito pela cidade. Tanto fez como empresário da noite, que foi por quase dez anos, como também pelos catarinenses que beneficiou sempre com suas obras. Aos 48 anos de idade, ele resolveu mudar sua vida da noite para o dia. Saiu da sociedade com o Grupo Novo Brasil, proprietários de casas noturnas, e colocou o pé na estrada para retomar sua carreira como fotógrafo e capturar as imagens das cidades brasileiras que está percorrendo.
Paulinho é um cidadão fotógrafo não só pelos impostos que recolhe como todos os brasileiros, mas também porque gerou empregos. E como fotógrafo cidadão fez campanhas para o Programa Fome Zero, pelos desabrigados das cheias de novembro/2008, em Santa Catarina, por entidades representativas de cegos, crianças portadoras de necessidades especiais e também por idosos, entre outras.
Agora se prepara para lançar seu quinto livro que ele espera terminar até o final deste ano. “O mundo dos livros é que me trouxe as boas lições de vida. Meu pai sempre me ensinou que um homem vale pelo que é e não pelo que tem. Por isso todos os livros que editei sempre tiveram a renda revertida para alguma entidade”, explica ele. Gozando de situação financeira bastante confortável, ele despertou para a necessidade de escrever seu primeiro livro “Seus Olhos – depoimentos de quem não vê como você nunca viu” em razão de um problema no olho esquerdo motivado pelo estresse. “Esse foi em benefício da ACIC (Associação Catarinense para a Integração do Cego). O problema me despertou a curiosidade em saber como era a vida de uma pessoa que não enxerga nada”. Quando completou 10 anos vivendo aqui, escreveu “Florianópolis, meus amigos, meus melhores momentos”. “A renda desse livro foi toda para a Sociedade Espírita Obreiros da vida Eterna (Seovi)”, conta. Já o “Retratos de Santa Catarina”, livro exclusivamente de fotos, teve a arrecadação enviada para a Vida em Movimento – entidade que dá assistência a crianças portadoras de necessidades especiais. “Eu vivo Floripa” foi uma retribuição ao título que recebeu de cidadão honorário, cuja renda também foi para a Vida em Movimento.
 “Estou voltando para o que eu gosto realmente de fazer que é fotografar. A noite foi muito importante para mim. Não só pelos amigos que ganhei, mas também pelas portas que ela abriu. Foi uma vitrine que deu respaldo para os meus livros e o que eu sempre gostei de fazer. Foi a noite que me proporcionou fazer esse trabalho”, segreda.
“Sou um sonhador e como tal sonho em um dia ir fotografar o Alasca. Vou fazer a viagem de carro, desde um problema que tive num vôo, nunca mais entrei num avião”. Quem imagina que é loucura, não conhece Paulinho. Para este livro ele já percorreu de carro mais de 60 mil quilômetros e se prepara para ir para a Amazônia em junho. São mais de 10 mil fotos das paisagens e da gente brasileira que já constam dos seus arquivos.  Com a máquina em punho, Paulinho é um caçador de almas. “Além da beleza das paisagens, da diversidade de culturas, do artesanato maravilhoso, o povo brasileiro é o que mais me cativa pela maneira esperançosa de ver a vida, por ser alegre e receber bem as pessoas mesmo dentro da sua condição humilde. É um povo que tem fortaleza de espírito e se adapta à situação em que vive. Não é um conformado, nem tampouco um revoltado”, acrescenta. Essa alma brasileira transparece nas suas fotos.
“Um lugar que visitei que me marcou muito pela rusticidade e pela população ser quase toda descendente de albinos foi a Ilha dos Lençóis. Fica a umas sete horas de barco do município de Cururupu, no Maranhão. Até o final do ano passado, a ilha não tinha energia elétrica. Havia apenas um gerador que funcionava da 18h até as 22hs. Depois disso só a luz de lampião”, descreve. Essa comunidade adora contar lendas e falar de assombrações e acredita que vive numa terra encantada. “A simplicidade e a maneira deles receberem as pessoas me tocaram”. Já dá para ter uma idéia dos “brasis” que Paulinho pretende revelar.
 

____________________________________________________________________


Floripa, amor à primeira vista

 “A primeira vez que vim para Santa Catarina foi em 1978. Fiquei em Balneário Camboriú. Comecei a vir todos os verões até que, no Carnaval de 82, conheci a família da Mirian Correia Machuca. Ela me convidou para conhecer Florianópolis, me apaixonei pela cidade. Morei seis meses na casa da família dela. Aqui fiz free lance para Zury Machado, para o Celso Pamplona e para o Jornal A Ponte. Aí despertou meu amor por Florianópolis. Mas voltei para São Paulo. Cheguei a trabalhar na Ilha de Itaparica (BA) como fotógrafo do Clube Med”, descreve.
 “Vim para cá morar de vez, em 1989, por causa de uma depressão em razão do término de um namoro longo. Abri uma loja na Rua: Esteves Júnior, mas o que mais me destacou aqui foram os dois bares que montei mais tarde o ‘Boteco’ do Centro e o da Lagoa da Conceição”.
 Paulinho também foi a ponte entre Odilon Tayer e Aroldo Cruz Lima na construção do Café Cancun. “Eu era amigo dos dois. O Aroldo queria trazer o Café Cancun para Florianópolis, mas não tinha o espaço. O Odilon tinha o espaço, queria montar um negócio, mas não sabia qual. Juntei os dois e eles me convidaram para entrar na parceria. Formamos o Grupo Novo Brasil que depois abriu o El Divino, a Pacha e o P12”. E como mudou da noite para o dia, Paulinho se afastou dos empreendimentos noturnos.  “Agora me dedico colaborando com o P12 que funciona durante o dia. Sou sócio, mas não no papel, é um acordo entre cavalheiros. Cansei mesmo da noite”, completa


Texto| Rita de Cássia Costa
Fotos| Paulinho Ferrarini

 

 

 

       
Paulinho Ferrarini | o fotógrafo cidadão
Cabral redescobre Cabral
Paulo Greuel |
Walmor de Oliveira
Maratona Fotográfica
Bianco Angelo | em busca da arte na fotografia
       
 
   
desenvolvido por VirtuaComm Soluções Internet