Fala Fotógrafo

Walmor de Oliveira

Fotógrafo desnuda fantasias e revela sua história


 A maioria dos homens trocaria seu trabalho pelo dele e algumas mulheres dariam tudo para serem reveladas pela sua lente. Walmor Otávio Crippa de Oliveira é fotógrafo do site e da revista Playboy. A sensualidade sempre foi a sua marca. Mas o sucesso não veio instantaneamente para esse ilhéu. Ele batalhou muito para atingir sua meta. De volta a Florianópolis, o mago da fotografia se reencontrou com o encantamento que a Ilha exerce sobre os seus habitantes e aqueles que a visitam. E com essa alquimia perfeita Walmor voltou do Rio de Janeiro para continuar sua trajetória de sucesso no lugar em que nasceu e escolheu para ser o seu lar.
Walmor é filho de uma Floripa pitoresca que não existe mais. Romântica e cujos habitantes se reconheciam pelo nome e sobrenome, filho de fulano, neto de beltrano. A cidade cresceu e o romantismo ficou por conta apenas da paisagem que ainda é muito especial. E essa paisagem serviu de inspiração para o menino de 13 anos que começou a fotografá-la.
Padrinhos – Das paisagens Walmor passou a fotografar pessoas. Aos 15 anos, o aluno do Colégio Catarinense ia para a pracinha da Rua Esteves Junior, em frente ao Bar do Agapito – que já não existe mais -, local em que a rapaziada se reunia para a tradicional “paquera” (hoje a galera “fica”) na recém inaugurada Avenida Beira-mar Norte.  “Fotografava com uma Ricoh, câmera reflex japonesa, que o amigo Luiz Antonio Régis, o Brasília, havia trazido dos States (Estados Unidos) após um intercâmbio cultural, coisas raras na época, tanto a câmera como fazer intercâmbio”, relembra. As fotos que ele fazia dos amigos e desconhecidos atraíram a atenção do jornalista Beto Stodieck, que passou a publicá-las na sua coluna no Jornal O Estado, com o codinome W.O. de Oliveira, já que a timidez de Walmor o impedia de se orgulhar em ter o nome revelado. Beto era um dos colunistas sociais mais geniais e implacáveis da cidade. Foi ele quem mudou o perfil do colunismo social trazendo a crítica política,econômica e de costumes para o cenário do jornalismo social. E, por essa razão, era impossível abrir o jornal sem ler Beto Stodieck. As gatas da época também desfilavam na coluna e era W.O. quem clicava todas. 
 Logo após, “Luis Paulo Peixoto, o L.P. Peixoto, misto de marchand, agitador cultural e fotógrafo, que dividia o Studio A2, com o Beto, na Travessa Carreirão, entregou seu equipamento profissional a mim, me passando o título de fotógrafo do Beto. Era uma Pentax Spotimatic com três lentes. Eles foram meus padrinhos profissionais, juntamente com minha mãe, Isaura Crippa, eterna incentivadora, que juntou economias para me dar, aos 16 anos, uma Nikon F2, a Ferrari das câmeras na época”, confidencia. O Studio A2 reunia “os cabeças pensantes” (intelectuais) da Ilha, a turma do Kioski, que incluía o guru de toda uma geração, Rômulo Coutinho do Azevedo, o artista plástico Max Moura, Ury Azevedo, Ito e Malu Naumberg, entre outros.
“Em 77, entrei para a Faculdade de Agronomia na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Em 80, no último ano, larguei a faculdade e aceitei o convite do fotógrafo Guto Sisson para dividir o estúdio, que ficava no sobrado de um casarão, na esquina da Rua Vidal com a escadaria do Rosário. No térreo ficava o Bar Degrau, parada obrigatória de toda a Floripa da época. De 80 a 84 o estúdio fervilhou, mas com fim do meu primeiro relacionamento e com a limitação do mercado local, com a cara e a coragem, fui para o Rio de Janeiro. Sem dinheiro nem equipamento bom”, conta.
                              

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A ousadia de voar mais alto


 “Logo que cheguei, o amigo André Lenzi me apresentou sua noiva carioca, Patrícia, que me contratou para um grande trabalho sobre a Coca Cola. Sorte de principiante. Ganhei muito dinheiro nesse um mês de trabalho e achei que no Rio o dinheiro jorrava. Torrei tudo no verão de 85. Em pleno carnaval, vi que estava de novo falido e saí batendo de porta em porta”, descreve o fotógrafo.
Mas encontrou uma dura realidade. Bateu em muitas portas e descobriu que os trabalhos que havia feito para as agências de publicidade da Ilha eram considerados muito amadores no mercado carioca. “As agências daqui não tinham prestígio lá. Por dica de um Diretor de Arte da Agência MPM fiz por conta própria um ensaio de moda sobre a tendência Dark, com novos estilistas, fotografado no cais do porto e no teto de edifícios decadentes. Esse ensaio virou meu portfólio (pasta que reúne os trabalhos de um profissional).
Foi a Editora de Moda do Jornal O Globo, Elda Priame quem viu e publicou uma das fotos com grande destaque num editorial sobre calçados abrindo as portas para o mercado da moda para Walmor.
Em seguida, a Revista The Voice, que circulava no Rio, passou a dar a ele todas as capas, editoriais e anúncios. Humberto Saad, proprietário da então famosíssima grife Dijon, o chamou para fotografar as campanhas dele com a modelo de destaque Vanessa de Oliveira, que substituía a já também famosa Luiza Brunet. 
Luiza Brunet, por sua vez, “me intitulou seu fotógrafo exclusivo e passou a me indicar para todos os clientes que a queriam como modelo, incluindo a Rede Globo, quando a fotografei para um especial de fim de ano com Roberto Carlos. Foram ampliadas fotos da Luiza em tamanhos gigantes para decorar o cenário”, recorda.
Interview - Foi depois disso que passou a fotografar para Revista Interview firmando com os jornalistas Michael Koelreutter e Eduardo Logulo uma parceria que durou vários anos. Fotografaram e entrevistaram todos os famosos da cidade carioca, inclusive dona Lili de Carvalho que já era esposa do jornalista Roberto Marinho. Esse dia ficou na memória de Walmor. “Cheguei à mansão deles numa Brasília amarela velha que eu tinha. Assim que cheguei ao portão, vieram vários seguranças armados. Fiquei assustado com aquilo e eles mais assustados ainda quando eu disse que dona Lili me aguardava. Ao interfonarem para a casa, ela autorizou que eu entrasse para a surpresa dos seguranças”, conta rindo.
O apogeu - Walmor atendeu também a Editora Globo fazendo capa para as revistas Querida, Boa Forma e editoriais para diversas revistas de moda, como a Moda Brasil. Segundo ele, a Revista Sexy nasceu de uma edição especial da Interview na qual ele publicou fotos de várias mulheres nuas. Foi entrevistado por Fernando Gabeira pela Sexy que deu 10 páginas destacando seu trabalho como fotógrafo.
 Já em 1992, a Galeria e Livraria Bookmakers abre seu espaço para uma exposição de Walmor intitulada "Uma Noite Em Máscaras", na qual expõe fotos de pessoas anônimas com corpos normais, nuas, ao contrário do seu dia-a-dia de beleza e glamour com modelos esculturais. O sucesso foi instantâneo e resultou em matérias em todos os jornais e tevês.
A agência de modelos Elite, na época a de maior destaque no mundo, por meio do seu booker Sérgio Matos enviava todos os principais modelos para fazer novos ensaios com Walmor.
O bom filho a casa torna - No entanto, “com o crescimento da violência urbana no Rio, que fez com que grandes empresas migrassem para São Paulo e, ainda, com a perda de vários clientes da área da moda, vitimados pela Aids, resolvi voltar a Floripa, em 95”. 
Foi nesse mesmo ano que montou a agência de modelos Mini Max, que logo passou a ser representante da agência Mega de SP. Descobriu e lançou modelos como Maryeva, Renata Maciel, Ana Cláudia Michels, Giselle Cória, Vanessa Schultz, entre outras.
Em 99, vendeu sua agência para a Marilyn Models, maior agência francesa, que queria abrir filial em Florianópolis. Atuou como diretor dela por um ano. Mas a fotografia estava no sangue e não se sentia feliz naquela função. “De 2000 em diante voltei exclusivamente à fotografia, atendendo a clientes na área de moda e publicidade”, conta ele, aliviado por voltar a sua velha paixão.
Já na área dos ensaios sensuais ganhou notoriedade nacional por intermédio dos ensaios que fez para o site Morango, primeiro site a colocar no ar ensaios sensuais de bom gosto. “Fotografei para o site de 2000 a 2003. “Depois passei a fotografar para o site Bella da Semana”. Atualmente, “meus ensaios podem ser vistos no site da Playboy, revistas Playboy e Vip”, completa.
Atualmente Walmor é agenciado pela Proforma Central de Imagem, do amigo e fotógrafo Jeferson Caldart, e atua nas áreas de moda, publicidade e ensaios.

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As origens


Walmor Otávio Crippa de Oliveira nasceu em 1958. Oliveira herdou do pai, descendente de portugueses e espanhóis, cujos ascendentes vieram para Florianópolis e Crippa da mãe, descendente de italianos, que vieram da Itália para fundar Nova Veneza, e que mais tarde se mudaram para Laguna.
Recentemente, descobriu que seu bisavô, por parte de mãe, vindo da Itália, era uma espécie de médico, farmacêutico e fotógrafo, que montou uma fábrica de gasosa em Nova Veneza. Foi, com certeza, um dos primeiros fotógrafos de Santa Catarina. Na época, ser fotógrafo envolvia um conhecimento bem grande de química, pois ele mesmo precisava fabricar o material sensível para fazer os filmes, o papel fotográfico e as químicas de revelação.
O pai, Walmor Otávio de Oliveira, funcionário público, da Secretaria de Estado da Agricultura, fotografava as cenas familiares com uma Rolleiflex e uma Yashica Mat 6x6, em fotos P&B (preto e branco), reveladas por ele mesmo, passando depois para as fotos de paisagem, em cores, com uma Olimpus Trip.


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Texto| Rita de Cássia Costa
Fotos| Walmor de Oliveira

 

       
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