Andanças pelo mundo

Por aí...

 Duas passagens de ônibus até Corumbá, uma reserva num albergue de Cuzco, pouco dinheiro no bolso e uma vontade louca de conhecer a América do Sul era tudo o que tinham, em dezembro de 2008, os amigos Jakson Pereira, 25 anos, e Eduardo Probst, 22. Pensavam nisso enquanto esperavam o busão na rodoviária Rita Maria, em Florianópolis.
Vinte e duas horas depois estavam na fronteira Brasil-Bolívia. Planejavam embarcar na mesma noite no Trem da Morte, em Puerto Quijaro, mas não havia mais bilhetes disponíveis. Dormiram em Corumbá, “num dos dias mais importantes da viagem, porque nessa noite conhecemos o Murilão, um eremita muito louco”, relembra Eduardo.
Murilo da Silva Ijanc, estudante de administração, simpatizou com os dois e se uniu a eles na viagem.  Juntos, percorreram 500 km no Trem da Morte em péssimas condições de higiene, sendo devorados por mosquitos. Passaram o Natal a bordo de um ônibus a caminho de La Paz, na Bolívia, a 3.500 m acima do nível do mar, onde sentiram os efeitos da altitude. Comeram carne de Lhama  no sítio arqueológico de Tiwanaku e caminharam cinco horas sem parar carregando mochilas de doze quilos para atravessar a Isla Del Sol.

 Embarcaram para a cidade peruana de Cuzco num ônibus muito fedorento carregado de DVD’s piratas e com plástico no lugar dos vidros, caíram na balada – apenas Jakson preferiu dormir – e voltaram bêbados de pisco e se encantaram com Machu Picchu, a cidade símbolo da civilização inca. Passaram o réveillon correndo e bebendo pisco com uma multidão de mochileiros do mundo todo na praça de Cuzco. No dia seguinte Eduardo teria que recorrer aos farmacêuticos locais para se curar de um forte piriri intestinal causado pelo café da manhã do albergue. No dia seguinte Eduardo teria que recorrer aos farmacêuticos locais para se curar de um forte piriri intestinal causado pelo café da manhã do albergue. Voltaram a Bolívia de bicicleta num descidão a 60km/h, indo de 4800m a 1200m de altitude em 5 horas. 

 A caminho de Uyuni, o deserto de sal, deixaram La Paz num ônibus suspeito que perdeu o freio no meio do trajeto, obrigando o motorista a jogar o veículo de ré num barranco pra não causar um acidente ainda maior. Já na imensidão branca de Uyuni dormiram num hostel feito de sal “no meio do nada”.  Atravessaram o deserto da Bolívia a bordo de um jipe até chegar em Laguna Colorada, onde enfrentaram com muito vinho o frio de zero grau. Em hot springs viram “o nascer de sol mais bonito de nossas vidas”, segundo Eduardo, que se banhou nas piscinas quentes do local antes de seguir para San Pedro do Atacama, no Chile.

 No deserto chileno sofreram com o tempo seco e com os altos preços do  comércio local, se perderam nas areias sem fim, quase apanharam uma insolação e caíram na roubada de uma “balada clandestina”,  cheia de “mulheres feias, gente estranha e bebida ruim”, lamenta Eduardo. Murilão se engraçou com uma chilena e teve a sorte de estar sem grana no bolso, porque foi levado para um lugar afastado do centro, onde um comparsa da garota tentou assaltá-lo.  Murilão, com a malandragem do bom brasileiro, conseguiu se safar, mas tomou um baita susto.
Chegaram em Santiago do Chile sentindo o gosto amargo da despedida. Jakson seguiu direto para Buenos Aires. Com a grana contada, Eduardo e Murilão ainda passariam por Valparaíso antes de visitar a capital argentina. Se abraçaram, riram e lembraram de momentos bons e ruins da viagem e se despediram com a certeza de que jamais seriam os mesmos depois daqueles trinta dias.





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