Fala Natureza

Projeto Tamar em busca da preservação das tartarugas marinhas

 Florianópolis é uma ilha com 523 Km quadrados nos quais é possível encontrar cinco espécies de tartarugas marinhas que têm sido protegidas pela mais nova base do Projeto Tamar. Ao longo de 25 anos o projeto vem protegendo as áreas de reprodução e alimentação das tartarugas em 20  bases instaladas em oito estados: Bahia,  Sergipe, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A base de Florianópolis foi criada com o objetivo de dar suporte às atividades realizadas nas regiões Sul e Sudeste para minimizar os efeitos da pesca incidental sobre  as tartarugas.
          Atualmente, o Tamar ainda tem uma adversária a combater que é a rede de malha conhecida entre os pescadores como malhão ou boiada. Este tipo de equipamento traz sérios prejuízos à manutenção da vida marinha. Aos poucos, técnicos e pescadores estão aprendendo a criar alternativas de pesca que não a predatória. E o mais sensato: os técnicos do projeto reconhecem que a salvação das tartarugas passa também pela “barriga”  do pescador que tem como única fonte de renda a pesca. O coordenador do Projeto Tamar – Sul, Eron Paes e Lima, não é apenas um apaixonado pelas tartarugas. Ele tem procurado dar instrumentos à comunidade da Barra da Lagoa, onde fica a base de Florianópolis de modo a criar alternativas de renda, gerando uma parceria  a qual beneficia os dois lados. A comunidade já entendeu que a tartarugas são um atrativo turístico também.

 O projeto apóia as pessoas da região que fabricam camisetas, artesanato, pesos para porta, tiaras entre outros. As cooperativas vendem sua produção ao Tamar que  as revende na lojinha que fica na base do projeto. As tartarugas são o tema do trabalho. Hoje 50% da renda do projeto vêm da comercialização desses produtos e da visitação pública a um preço quase simbólico R$ 2,00 nota que tem impressa uma tartaruga marinha. A parceria com a Petrobrás tem sido vital para a sobrevivência da iniciativa, já que ainda é tímida a freqüência de visitantes na baixa temporada. Santa Catarina também precisa ser objeto de divulgação no exterior, já que os turistas, principalmente os europeus, viajam ao longo de todo o ano para países com culturas diferentes e são facilmente atraídos por este tipo de iniciativa. Outros estados, como a Bahia e Rio de Janeiro, já fazem este tipo de divulgação.


Floripa corredor de passagem

A Ilha é um corredor de passagem para as tartarugas marinhas. Embora, não seja Florianópolis a área onde elas costumem fazer a desova, o fato de ser um corredor para os locais onde se alimentam e reproduzem, principalmente o litoral da região Sudeste, faz com que este fenômeno raras vezes ocorra aqui. A praia do Campeche, no entanto, já serviu de palco para este espectáculo da natureza.

Animais altamente migratórios, as tartarugas marinhas viajam por todos os mares e chegam a percorrer milhares de quilômetros entre os locais de descanso e alimentação e as praias nas quais fazem seus ninhos. Para responder a questões como para onde vão após o período de reprodução e o que fazem nos inrtervalos entre uma desova e outra, o Projeto Tamar está iniciando um trabalho amplo de monitoramento por satélite das fêmeas em parceria com o Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes).

Por meio de transmissores específicos,  programados para e mitir sinais sempre que as tartarugas sobem à superfície para respirar, os pesquisadores pretendem descobrir informações sobre o comportamento desses animais no seu habitat natural. Os dados, coletados via satélite, vão revelar alguns dos mistérios que ainda persistem sobre esses animais pré-históricos que sobreviveram, diferentemente dos seus parceiros dinossauros.

Atualmente, 15 fêmeas da espécie Eretmochelys imbricata  (tartaruga de pente) foram marcadas para monitorar o seu comportamento. Elas desovam no litoral da Bahia. A partir da próxima temporada reprodutiva no litoral brasileiro, entre setembro e março outras espécies serão monitoradas pelo Programa de Estudos da Biologia das Tartarugas Marinhas por intermédio da telemetria por satélite.A de couro, a cabeçuda, e, muito provavelmente, a oliva, estão dentre aquelas cujo o objetivo é aprofundar os estudos de modo a aumentar o número de indivíduos monitorados. Esse monitoramento é mais uma ferramenta utilizada pelo Tamar na preservação das tartarugas marinhas. 

Redução da captura é meta do projeto

 O Plano Nacional para a Redução da Captura Incidental de Tartarugas Marinhas foi criado em     2001 para diminuir a incidência de tartarugas capturadas e mortas pela atividade pesqueira. O trabalho inclui conscientização e educação ambiental de pescadores e armadores da pesca, pesquisa e monitoramento sobre as pescarias que mais capturam tartarugas, criação de medidas para minimizar a captura.
Além da pesca predatória, há outras situações que ameaçam a sobrevivência desses animais marinhos como a ilunimação artificial nas áreas de desova que desorientam os filhotes recém-nascidos que vão na direção contrária ao mar. Também a poluição dos mares e o tráfego de veículos nas praias contribuem para o desaparecimento desses animais. 
Embora não seja área de reprodução das tartarugas, a costa brasileira ao Sul é corredor de passagem durante as longas migrações das tartarugas que também usam o local para alimentar seus filhotes e animais juvenis de cinco das sete espécies encontradas no mundo. Acontece que as regiões Sul e Sudeste – especialmete em Santos/SP e Itajaí/SC, situada a cerca de 100 km de Florianópolis -, também reúnem a maior frota de pesca industrial do Brasil. Em alto mar, as tartarugas interagem com outras espécies como os peixes pelágicos (atuns, agulhões e tubarões), cetáceos e aves marinhas – e também a pesca oceânica, pois as suas áreas de alimentação e migração são freqüentadas pelos barcos pesqueiros.
Foi por isso que o Projeto Tamar, patrocinado nacionalmente pela Petrobrás, instalou em janeiro deste ano, em Florianópolis, a sua 21ª  Base de Pesquisa e Conservação. A Base Sul, como é chamada, começou a funcionar em janeiro passado e fica no distrito da Barra da Lagoa, tradicional comunidade de pescadores, em uma área de 20 mil metros quadrados, em frente ao camping da Elase. As outras 20 ficam na Bahia, Sergipe, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Nesses locais, além da pesquisa e conservação, o Projeto desenvolve amplo trabalho de educação ambiental incentivo à busca de alternativas de renda para as populações litorâneas onde ficam as bases.

Salvar as tartarugas sem prejuízo à pesca
         
            Diversas pescarias interagem com as tartarugas marinhas.Na costa, as técnicas mais comuns, que acabam capturando incidentalmente as tartarugas, são as redes de emalhe para lagosta, arrasto de fundo (para camarão), os cercos flutuantes e os fixos (currais), além das redes de emalhe para peixe. Na pesca oceânica, as capturas são provocadas pelo espinhel e pela  rede de emalhe de deriva, usada para capturar tubarões. No caso do espinhel, as tartarugas são fisgadas pelos anzóis quando se aproximam para comer as iscas. As redes prendem as tartarugas no fundo do mar, impedindo que elas subam à superfície para respirar o que provoca a morte dos animais por afogamento.
          Por intermédio do Programa de Redução da Captura Incidental da Tartarugas Marinhas pela Pesca, implantado desde 2001, o Tamar estuda, desenvolve e testa medidas  para diminuir o impacto das pescarias sobre esses animais. O Projeto se empenha, por exemplo, em testes com anzóis circulares, que agridem menos, para substituírem os anzóis comuns (no formato de letra jota). Utilizados tradicionalmente na pesca com espinhel, os anzóis jota são engolidos pelo animal, provocando a sua morte (com o anzol preso ao esôfago tem dificuldade de se alimentar) e prejuízos financeiros , com a perda do equipamento. Devido ao seu formato e tamanho, o anzol circular não pode ser engolido pela tartaruga. Experientes pescadores vêm testando o anzol circular e garantem que a performance do equipamento é igual à do jota – inclusive com o mesmo índice de captura. A natureza agradece.

 Por Rita de Cássia Costa

       
Projeto Tamar
Aquecimento global | O futuro da Ilha em debate
Ecologia - Manguezal da Via Expressa
Paixão pelos animais marinhos transforma trabalho em prazer
       
 
   
desenvolvido por VirtuaComm Soluções Internet